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Mãe de taxista assassinado em 2020 celebra morte de atirador: ‘Justiça foi feita’

Izis Barbosa, 70 anos, disse que a morte de Jean Gabriel Rapini de Souza, ocorrida na segunda-feira (10), trouxe alívio e sensação de justiça.

11/08/2026 às 11:53
3 min de leitura
Izis Barbosa segura óculos do filho taxista morto em 2020 após saber da morte do assassino
Izis com os óculos do filho nas mãos após morte de assassino (Foto: Juliano Almeida)

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Ao tomarem conhecimento da morte de Jean Gabriel Rapini de Souza, 24 anos, as costureiras Izis Barbosa, 70, e Andrea Barbosa, 52 anos, relataram estar aliviadas e com a sensação de que o caso teve desfecho justo. O rapaz participou do latrocínio que resultou na morte do taxista Luciano Barbosa Franco, em abril de 2020. Na época, o autor tinha apenas 17 anos. Jean acabou morrendo ao reagir à abordagem do BPChoque (Batalhão de Choque) na noite de segunda-feira (10), na Avenida Manoel Ferreira, região do Bairro Santo Antônio, em Campo Grande.

Alívio e sensação de justiça

Em entrevista ao Campo Grande News, na manhã desta terça-feira (11), Izis e Andrea contaram sobre como foi receber a notícia. ‘Eu não sinto tristeza, sinto um alívio. Era algo previsível. A gente sabia que esse dia viria. Eu penso na mãe dele, mas para nós foi como se a justiça pelo Luciano tivesse sido feita. Encerrou um ciclo’, afirmou Izis.

Na casa onde vive com a filha Andrea, a presença de Luciano continua viva em cada canto e em cada hábito preservado. Guardado com carinho no quarto de Izis, o par de óculos do filho virou seu companheiro de todas as horas. ‘É o par de óculos dele que eu uso pra assistir TV, pra ver meu Palmeiras jogando. Fica guardadinho aqui no meu quarto. É uma coisa minha, que eu uso e que é uma parte dele comigo’, conta a mãe.

Lembranças e hábitos preservados

O futebol e o esporte eram elos marcantes entre Izis e o filho. Luciano era vascaíno roxo, mas fazia questão de acompanhar as partidas do Palmeiras ao lado da mãe por causa da união histórica entre as torcidas. ‘Ele dava um jeito de vir mais cedo para a gente sentar e assistir juntos. A gente também assistia muito MMA, conhecia os atletas. É um jeito de eu disfarçar a dor, achar que ele tá por aqui, trabalhando’, detalhou.

A culinária também carrega a marca do carinho de Luciano. ‘Até hoje, quando faço uma comida, lembro dele. Às vezes eu tava fazendo algo que ele gostava e mandava foto. Ele respondia: “Ah mãe, agora nem consigo trabalhar de tanto pensar nisso”. Durante três anos eu só cozinhava chorando; nos domingos, salgava a comida de tanta lágrima’, relembra emocionada.

Quarto intacto e gratidão à polícia

‘O quarto dele está intacto, até a escova de dentes. Vejo ele passar na porta do meu quarto e na hora do almoço escuto a chave na mesa de vidro. Parece que a ficha ainda não caiu. A sensação é de que ele vai voltar para casa a qualquer momento’, continuou. A família fez questão de expressar profunda gratidão às forças de segurança de Mato Grosso do Sul. ‘A Polícia daqui é nota mil. Na época do crime, eles trabalharam 24 horas sem parar, viraram a noite até prenderem todos os envolvidos em tempo recorde. Se eu pudesse, daria um abraço em cada policial para agradecer’, desabafa a costureira.

O crime e a investigação

Luciano desapareceu na noite de 25 de abril de 2020, depois de aceitar uma corrida no Shopping Campo Grande com destino ao Jardim Carioca. O chamado ocorreu por volta das 23h30 e seria o último serviço do taxista naquele sábado. Como ele não retornou para casa, familiares procuraram a polícia durante a madrugada. O rastreador do Volkswagen Virtus usado por Luciano emitiu o último sinal pouco depois da meia-noite. Na manhã seguinte, o veículo foi encontrado no Bairro Santa Emília, sem os quatro pneus. Quase no mesmo horário, um ciclista localizou o corpo do taxista em um matagal às margens da BR-262, na região do Indubrasil, a cerca de 15 quilômetros de onde o automóvel havia sido abandonado.

A Polícia Civil reconstruiu parte do trajeto por meio de imagens obtidas durante a investigação. Conforme divulgado na época, o Virtus deixou o Shopping Campo Grande às 23h40 e chegou ao Jardim Carioca às 23h58. O carro permaneceu parado por cerca de 40 segundos antes de iniciar o caminho de volta. Segundo a apuração policial, foi nesse intervalo que o taxista foi morto.

  • Envolvidos: Jean estava no banco traseiro do automóvel e uma jovem ocupava o banco dianteiro. O adolescente efetuou o disparo após o anúncio do roubo.
  • Segunda mulher: Não estava no veículo, mas tinha conhecimento do plano e auxiliou os demais. Foi responsabilizada pelo crime.
  • Plano: Grupo pretendia ficar com o carro, que seria negociado por R$ 12 mil e entregue no Paraguai. O veículo foi abandonado em Campo Grande.

Condenações e desfecho

Jean havia deixado uma Unei (Unidade Educacional de Internação) pouco mais de um mês antes da morte de Luciano e já havia cumprido medida socioeducativa por outros atos. A arma utilizada no crime, um revólver calibre 38, foi encontrada em uma máquina de lavar no Bairro Tiradentes. O Batalhão de Choque participou da ação em apoio à Polícia Civil. As duas mulheres foram presas e sentenciadas: Stefanie Paula Prado de Oliveira a 25 anos e 4 meses, e Laura da Silva Santos a 21 anos e 4 meses, ambas em regime fechado. Jean cumpriu 3 anos de medida socioeducativa e morreu durante confronto na noite de ontem.

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Mariana Costa

Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.

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