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ESTADO

Defesa de soldado Victor Vicentin pede exame de insanidade após atropelar e matar vigilante em Campo Grande

Advogados do soldado do Exército Victor Vicentin Rocha, denunciado por homicídio com dolo eventual e embriaguez, solicitam perícia psiquiátrica para avaliar imputabilidade penal.

12/08/2026 às 11:13
3 min de leitura
Defesa do soldado Victor Vicentin pede exame de insanidade mental após acidente fatal em Campo Grande
Corpo da vítima e motocicleta no local do acidente (Foto: Osmar Veiga)

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A defesa do soldado do Exército Victor Vicentin Rocha, de 22 anos, denunciado por homicídio com dolo eventual e embriaguez ao volante, pediu à Justiça a instauração de incidente de insanidade mental com suspensão da ação penal. O objetivo é atestar se o militar era capaz de entender o caráter ilícito de seus atos quando atropelou e matou a vigilante Miriam Rosa Matos, de 44 anos.

Defesa aponta dúvida sobre capacidade mental de Victor Vicentin

O pedido, assinado pelos advogados Renato da Rocha Ferreira e Patrícia Sanches Ferreira, sustenta haver “dúvida razoável e robusta” sobre a imputabilidade penal do jovem. Entre os documentos anexados estão relatórios do Hospital Militar de Área de Campo Grande e do Hospital Psiquiátrico Nosso Lar.

De acordo com a defesa, Victor tem histórico prévio de graves distúrbios psíquicos e tentativas de suicídio antes mesmo da tragédia. Em maio de 2025, o militar ficou internado por quase um mês no Hospital Nosso Lar. Diagnósticos anexados à petição indicam:

  • Transtornos psicóticos e de humor;
  • Transtorno depressivo recorrente, episódio atual grave sem sintomas psicóticos;
  • Uso irregular das medicações prescritas.

“É imperioso determinar se a embriaguez, embora voluntária, agiu como fator desencadeador ou agravante de seu quadro psiquiátrico, diminuindo ou eliminando sua capacidade de discernimento e de controle de seus atos ao tempo da ação”, argumenta a defesa na petição.

Acidente fatal e prisão do militar

O acidente aconteceu na manhã de sábado, 20 de junho de 2026. Conforme a denúncia do promotor José Arturo Iunes Bobadilla Garcia, Victor ingeriu bebida alcoólica em bares do Centro da Capital. Em alta velocidade, ele conduzia uma caminhonete Chevrolet S10 branca quando atingiu a lateral de um Volkswagen Virtus. Em seguida:

  • Fugiu pela Rua Maracaju;
  • Avançou o sinal vermelho no cruzamento com a Rua Padre João Crippa;
  • Colidiu com a motocicleta Yamaha Factor pilotada por Miriam Rosa Matos, que morreu no local;
  • Subiu na calçada e destruiu a fachada, grades e corrimões de uma clínica médica.

O teste do bafômetro apontou 0,42 mg/L de álcool por litro de ar alveolar. Uma garrafa de uísque quase vazia foi apreendida no veículo. Preso em flagrante, Victor virou réu por homicídio simples e dirigir sob influência de álcool em julho. As penas máximas podem chegar a 23 anos de prisão.

Decisão judicial e andamento do processo

Quatro dias após o acidente, em 24 de junho de 2026, Victor teve de ser levado às pressas, sob escolta policial, para atendimento de emergência psiquiátrica no Hospital Militar por ideação suicida e forte sentimento de culpa, sendo diagnosticado com Transtorno Depressivo Maior. A defesa requereu a paralisação do processo, nomeação de curador e manifestação do MPMS.

No dia 5 de agosto, o juiz Carlos Alberto Garcete de Almeida deferiu o pedido de instauração do incidente de insanidade mental. A curadoria ficou em nome do advogado. O magistrado nomeou o médico Rodrigo Ferreira Abdo como perito do caso, mas o processo não foi suspenso.

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Mariana Costa

Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.

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