Governo pede R$ 500 milhões do Discord após morte de menina de 13 anos em MS
União ajuíza ação civil pública contra plataforma digital por danos morais coletivos após morte de adolescente em Naviraí.
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A Advocacia-Geral da União (AGU) ingressou nesta quarta-feira (26) com uma ação civil pública contra o Discord, exigindo R$ 500 milhões por danos morais coletivos. O pedido decorre da morte de Lívia, de 13 anos, em Naviraí (MS), ocorrida em 22 de julho, e das investigações que revelaram uma organização criminosa que usava a plataforma para recrutar crianças e adolescentes.
O que motivou a ação do governo?
Segundo o ministro Jorge Messias, a AGU calcula o valor da indenização com base em dez infrações atribuídas à plataforma, cada uma avaliada em R$ 50 milhões. O governo também quer obrigar o Discord a adotar procedimentos para cumprir integralmente as regras brasileiras de proteção de crianças e adolescentes.
Antes de recorrer à Justiça, o governo tentou firmar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Discord, mas as negociações fracassaram. Messias afirmou que a ação foi tomada por orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sob a acusação de que a plataforma oferece proteção insuficiente a usuários vulneráveis.
Morte de Lívia desencadeou operação nacional
O caso começou em Naviraí, no interior de Mato Grosso do Sul. Lívia foi encontrada morta em casa, e mensagens no celular dela indicaram que ela estava sendo pressionada e manipulada por integrantes de um grupo virtual. A autenticidade das conversas estava sob investigação na época.
Em 4 de agosto, a Polícia Civil de MS deflagrou a Operação Lívia, que identificou uma organização com atuação nacional suspeita de recrutar crianças e adolescentes em plataformas digitais, submetê-los a violência psicológica, incentivar automutilação e induzir vítimas ao suicídio. Integrantes do grupo chegaram a enviar dinheiro via Pix para que Lívia comprasse uma gilete usada em automutilação, sem o conhecimento da mãe.
Medidas do governo contra o Discord
- Suspensão de recursos de vídeo: Em 12 de agosto, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou a suspensão das transmissões ao vivo e de recursos como o “Go Live” e chamadas de vídeo em tempo real no Brasil, por falhas na prevenção de violações graves contra crianças e adolescentes.
- Reação do Discord: A empresa classificou a suspensão como “prematura” e afirmou que já havia retirado do ar o servidor privado relacionado ao caso de Lívia. A plataforma também argumentou que parte dos acontecimentos pode ter sido articulada em outros aplicativos, como Telegram e TikTok.
A investigação criminal segue em andamento, buscando identificar todos os participantes da rede e possíveis outras vítimas. O caso alimentou o debate nacional sobre a responsabilidade das plataformas digitais na proteção de menores.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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