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POLÍTICA

Vorcaro poupa Alexandre de Moraes em nova delação premiada

Empresário Daniel Vorcaro prepara terceira colaboração premiada sem citar diretamente o ministro do STF.

04/09/2026 às 07:50
3 min de leitura
Empresário Daniel Vorcaro em imagem com traje formal, com fundo neutro e expressão séria.
Reprodução

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O empresário Daniel Vorcaro comunicou a interlocutores, nesta semana, que sua nova oferta de colaboração premiada não vai envolver o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A terceira tentativa de acordo deve ser apresentada à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) com o mesmo recorte da versão anterior: a amizade com o magistrado e a relação comercial com Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, formalizada em contrato de R$ 129 milhões.

Estratégia após vazamento de relatório da PF

A decisão de poupar o integrante do STF ocorre depois que o levantamento do sigilo do relatório da Polícia Federal tornou pública a proximidade entre os dois. Vorcaro avalia que essa exposição prejudicou de forma significativa sua estratégia de obter prisão domiciliar enquanto aguarda o julgamento. No entendimento do ex-controlador do Banco Master, o documento policial comprometeu o ambiente necessário para negociar benefícios processuais.

As mensagens reunidas no relatório, no entanto, apontam para um diálogo mais próximo do que a versão de simples amizade. Trechos indicam que Vorcaro consultava Moraes sobre questões ligadas ao Master e chegou a pedir que o ministro acionasse o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, em busca de apoio em temas que envolviam a instituição financeira.

Clima de receio no círculo do empresário

No entorno de Vorcaro, o clima é de apreensão. Há a percepção de que ele pode ser esquecido na prisão e de que, em determinado momento, o próprio empresário cogitou não precisar mais de advogados para sua defesa. O temor aumenta diante do depoimento que ele deve prestar ao juiz auxiliar do ministro André Mendonça, no qual menciona Andrei Rodrigues como alguém com quem mantinha relacionamento.

A nova proposta de delação, portanto, segue a linha já ensaiada: reconhecer o vínculo pessoal com Moraes e o contrato com a esposa do ministro, sem aprofundar as conversas e os pedidos de intervenção que constam do material da PF. Vorcaro e seu entorno apostam que esse recorte reduz riscos imediatos e preserva alguma margem de manobra no processo.

Recorte para reduzir riscos e buscar benefícios

O empresário tenta reconstruir uma narrativa que lhe permita avançar na negociação com a PF e a PGR sem incluir o ministro do STF entre os nomes citados de forma mais direta. A avaliação interna é de que a exposição anterior já produziu efeito negativo suficiente e que insistir no mesmo caminho tornaria ainda mais difícil qualquer acordo que favoreça o regime de prisão domiciliar.

Vorcaro calcula que o ajuste na delação aumenta as chances de a colaboração ser recebida e de ele conseguir aguardar o julgamento fora do presídio. O cenário, porém, permanece tenso. A divulgação do relatório da PF já alterou o cálculo inicial, e o depoimento ao auxiliar de Mendonça representa um ponto de instabilidade adicional.

Mesmo assim, a orientação circulada entre os interlocutores é clara: na nova delação, o ministro Alexandre de Moraes não será alvo.

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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