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POLÍTICA

PF vê ligação entre gastos de Dark Horse e emendas de Mario Frias

PF investiga se recursos de emendas de Mario Frias financiaram a produtora do filme Dark Horse.

10/09/2026 às 15:26
3 min de leitura
Relatório da PF aponta coincidência entre gastos da produtora do filme Dark Horse e emendas do deputado Mario Frias.
Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

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A Polícia Federal (PF) encontrou coincidência entre o dinheiro movimentado pela Go Up Entertainment, produtora do filme Dark Horse, e as emendas do deputado federal Mario Frias. O relatório, com sigilo retirado nesta quinta-feira (10 de setembro), aponta suspeita de desvio de verba pública.

O Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Gama – dona da Go Up –, recebeu R$ 2 milhões por meio de duas emendas de Frias. Os investigadores avaliam que parte desses recursos pode ter custeado hospedagem de alto padrão, refeições e outras produtoras durante as gravações da cinebiografia de Jair Bolsonaro.

Movimentação financeira suspeita

A Go Up Entertainment movimentou R$ 19.033.071 entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025. As filmagens em São Paulo ocorreram de 20 de outubro a 7 de dezembro. Para a PF, o calendário e o tipo de despesa se cruzam.

  • Transferência da NTT Brasil: A empresa de Heric Dias enviou R$ 750 mil à Go Up. O valor se aproxima dos R$ 700 mil que a Dinâmica Editora e o Instituto Super Poder Educacional teriam recebido via ICB com dinheiro de emenda.
  • Indícios de fraude: A polícia vê sinal de que a verba originalmente ligada a contratos do ICB chegou à produtora após contratações fraudulentas e transferência da NTT.

Envolvimento de Frias e outros parlamentares

Além das emendas, Mario Frias transferiu R$ 645,4 mil da própria conta para a Go Up. O salário dele na Câmara é de R$ 44.008,52. A PF questiona o lastro para esse envio em menos de 60 dias.

Outros deputados

Marcos Pollon (PL-MS) e Bia Kicis (PL-DF) também destinaram emendas para a Academia Nacional de Cultura, outra entidade de Karina: R$ 1 milhão e R$ 150 mil, respectivamente. Os valores não foram pagos. A PF destaca que ambos foram eleitos por Mato Grosso do Sul e Distrito Federal, mas as emendas apontavam São Paulo – o que pode ferir a regra de vínculo entre origem do parlamentar e destino da verba.

Operação Make Up

O ministro Flávio Dino autorizou a Operação Make Up, realizada pela PF em parceria com a Controladoria-Geral da União. Foram 49 mandados de busa em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal, contra Frias, Karina, o ICB, a ANC e outros investigados. Dino também proibiu Frias de deixar o país e de falar com os demais alvos.

Procurada pela TV Globo, a assessoria de Mario Frias e a defesa de Karina Gama não responderam até a publicação desta reportagem.

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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