Candidato a deputado diz que trabalhadores ‘nem lavam pratos’ em fazenda
Carlos Bernardo (União Brasil) rebateu suspeitas após operação da PF e do MTE encontrar 23 trabalhadores irregulares e armas.
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O candidato a deputado federal Carlos Bernardo (União Brasil) gerou polêmica ao afirmar que os trabalhadores de sua fazenda em Porto Murtinho, na fronteira com o Paraguai, ‘sequer lavam os pratos que comem’. A declaração foi dada após a Polícia Federal (PF) e o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) realizarem uma operação no local nesta quinta-feira (17) para apurar denúncias de trabalho análogo à escravidão e tráfico de pessoas.
Operação encontra 23 trabalhadores em situação irregular
Durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão, os agentes encontraram 23 trabalhadores com vínculo trabalhista irregular, parte deles estrangeiros. A investigação apontava que estrangeiros eram recrutados informalmente e mantidos em situação de vulnerabilidade. Entre as suspeitas estão:
- Falta de registro trabalhista – ausência de carteira assinada e direitos trabalhistas básicos
- Possível retenção de pagamentos – salários não repassados integralmente
- Restrição de liberdade – impedimentos para sair da propriedade
Bernardo, no entanto, afirmou que os estrangeiros vivem na região de fronteira e transitam entre Brasil e Paraguai, e que alguns deles não querem ser registrados ou não têm documentação. A recusa, porém, não exime o empregador do cumprimento da legislação trabalhista brasileira.
Defesa do candidato e acusação de perseguição política
O candidato do União Brasil disse acreditar que a denúncia anônima foi motivada por perseguição política, mas não apresentou provas. Segundo ele, a fazenda mantém entre 20 e 30 funcionários e oferece café da manhã, almoço, lanche e jantar. ‘Somos totalmente contra esse tipo de atitude. Eles têm café da manhã, almoço, merenda e janta. Sequer lavam os pratos que comem’, declarou. Bernardo ainda afirmou que duas funcionárias são responsáveis pelo preparo das refeições e pela limpeza.
Armas de grosso calibre apreendidas na propriedade
Além das irregularidades trabalhistas, os agentes apreenderam 14 armas de fogo de grosso calibre e munições. De acordo com a PF, o armamento estava irregular e algumas peças apresentavam numeração suprimida. Bernardo negou ser proprietário das armas e disse não ter controle sobre o que os trabalhadores mantêm na propriedade. Ele justificou que a fazenda fica a cerca de 40 quilômetros de áreas urbanas, em região considerada perigosa, e que a presença de armas seria comum nas propriedades próximas. O candidato afirmou que chega a passar cinco ou seis meses sem visitar o local. A investigação prossegue para identificar os donos das armas e apurar responsabilidades.
Patrimônio e vínculos universitários
Carlos Bernardo, de 60 anos, declarou patrimônio de R$ 28,72 milhões à Justiça Eleitoral. Ele também contestou a informação de que seria proprietário da Universidad Central del Paraguay, afirmando que integrou o corpo diretivo da instituição entre 2018 e 2019, mas atualmente não é dono nem sócio. O candidato disputa uma vaga na Câmara dos Deputados nas eleições deste ano.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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