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POLÍTICA

Iter, ligado a Mendonça, recebeu R$5,2 mi de ex-sócio de Vorcaro

Instituto Iter, vinculado ao ministro André Mendonça, recebeu R$5,2 milhões de holding de Lucas Kallas, ex-parceiro de Daniel Vorcaro; empréstimo foi devolvido após sustento financeiro.

17/09/2026 às 16:46
3 min de leitura
Instituto Iter, ligado ao ministro André Mendonça, recebeu R$5,2 milhões de empresa de ex-sócio de Vorcaro
Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

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O Instituto Iter, ligado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, recebeu R$ 5,2 milhões da Cedro Participações, holding de mineração do empresário Lucas Kallas. Kallas foi sócio de Daniel Vorcaro, banqueiro investigado na Operação Compliance Zero. O contrato, firmado em abril de 2024, era um mútuo conversível: o valor poderia se transformar em participação no instituto ou ser devolvido.

Detalhes do empréstimo e devolução

O acordo totalizava R$ 5,9 milhões, mas o Iter interrompeu os repasses e começou a devolver o dinheiro em janeiro de 2026. Segundo a entidade, a devolução ocorreu porque o instituto já tinha sustentabilidade financeira. Um aditivo antecipou o vencimento da dívida, com juros pela Selic. Até agora, cerca de 5,3% do total foi quitado.

  • Partes envolvidas: presidente do Iter e ex-ministro Victor Godoy Veiga negociou com Carlos Adel de Freitas e Eduardo Soares de Couto, da Cedro.
  • Destinação: o dinheiro deveria ser usado apenas para estruturar e manter as atividades do instituto.
  • Transparência: o Iter afirma que cumpriu o contrato, não distribuiu lucro a acionistas e aplicou tudo na conta da pessoa jurídica, com acompanhamento contábil.

Relações com Vorcaro e encontros

O Iter nega participação de Vorcaro nas tratativas e diz que não conhecia outras relações empresariais da Cedro ou de Kallas. A Cedro afirma que o banqueiro nunca teve vínculo societário com a holding ou controladas. Em março de 2025, Mendonça e Vorcaro se encontraram na sede do Iter, articulado por terceiros. O ministro diz que o tema foi precatórios. Um mês depois, Mendonça foi sorteado relator das investigações do Banco Master no STF.

Houve tentativa de incluir Vorcaro em evento do Iter em Belo Horizonte, em junho de 2025, mas o presidente Victor Godoy barrou o convite, segundo o instituto.

Investigações contra Lucas Kallas

Em junho, a Polícia Federal indiciou Kallas por irregularidades na Mina Granja Corumi, na Serra do Curral, em Belo Horizonte. São apontados exploração ilegal de minério, crimes ambientais, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e tráfico de influência. A defesa alega que os fatos são antigos e já arquivados. Mesmo sob investigação, Kallas integrou o Conselhão da Presidência e foi elogiado por Lula em 2025.

O inquérito que subiu ao STF em fevereiro é defendido pelo escritório da família de Alexandre de Moraes. O processo voltou à Justiça Federal após afastada suspeita contra pessoa com foro.

Viagem a Caracas

E-mails no celular de Vorcaro mostram que Kallas e o banqueiro viajaram juntos a Caracas, Venezuela, em novembro de 2023, para prospectar petróleo. Ficaram em suítes separadas, e Vorcaro pagou US$ 23 mil. Três dias após a última diária, em 4 de dezembro de 2023, os dois entraram no Palácio do Planalto no mesmo minuto. Kallas afirma que viagens fazem parte da agenda regular.

Mendonça deixou o Iter no início de setembro e não se manifestou sobre o caso. O instituto afirma que ele nunca recebeu dividendo ou participação nos resultados, atuando apenas como docente.

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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