Polícia de SP considera ex-vereador Milton Leite foragido em operação contra o PCC
Ex-presidente da Câmara de São Paulo não foi localizado durante ação que mira infiltração do PCC no transporte público.
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A Polícia Civil de São Paulo, em parceria com o Gaeco e o Ministério Público Estadual, deflagrou nesta quinta-feira (17) a operação Vectura Corrupta. O objetivo é desarticular a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no poder público e no sistema de ônibus da capital. Foram expedidos 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em sete cidades, incluindo São Paulo, Santos e São Bernardo do Campo.
Milton Leite é considerado foragido
O ex-vereador Milton Leite (União Brasil), que presidiu a Câmara Municipal, não foi encontrado em sua residência durante o cumprimento do mandado. Agentes encontraram indícios de que ele esteve em casa até a noite de quarta-feira (16). Uma funcionária relatou que ele saiu para um compromisso de campanha. A polícia o considera foragido, mas a defesa nega.
Em nota, Milton Leite afirmou: “Estou viajando e não sou foragido. Vou me apresentar em até 24 horas e provar minha inocência”. A investigação aponta que ele seria o elo político do esquema, com influência direta sobre empresas de transporte supostamente controladas pela facção.
Outros alvos e empresas sob suspeita
Além de Milton Leite, foram presos Levi dos Santos Oliveira (ex-presidente da SPTrans) e Danilo Marco Morgado Silva (candidato a prefeito de Praia Grande em 2024). A polícia aponta que Danilo teve campanha financiada pelo PCC. Outro investigado é José Daniel Satilite, o Alemão, apontado como intermediário entre empresários e a facção.
As autoridades listam 12 empresas de ônibus que estariam sob controle do PCC, entre elas:
- Transwolff – já alvo da Operação Fim da Linha em 2024
- Alfa Rodobus e Sancetur – assumiram serviços da Transwolff
- Viação Transcap, A2 Transportes, Imperial Transportes, Move Bus, Pêssego Transportes, Allianz Transportes, Transunião, Qualibus Transportes, Norte Bus e Spencer Transportes
Núcleo de advogados e histórico da investigação
A operação também mira o núcleo Sintonia dos Gravatas, formado por advogados que teriam ultrapassado os limites da profissão para atender ao PCC. Entre eles estão Cícero José dos Santos Filho, Eduardo Medeiros e Milton Mello Milreu. Escritórios e contas bancárias eram usados para reuniões e movimentação de recursos da facção.
A Vectura Corrupta é desdobramento de operações anteriores. Em agosto de 2024, a Operação Decurio apreendeu 30 kg de drogas e identificou uma fintech que movimentou R$ 8 bilhões. Em abril de 2025, a Operação Contaminatio desarticulou uma rede de doleiros e prendeu um ex-vereador de Santo André.
Prefeitura nega risco ao transporte
O prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou que a operação não afetará o transporte na capital. Ele lembrou que a prefeitura interveio na Transwolff em 2024 e decretou a caducidade do contrato. “A empresa é administrada pela prefeitura”, disse. A investigação segue em sigilo, e os acusados ainda não foram julgados.
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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