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Após 11 meses na guerra, jovem volta de surpresa e mãe relata angústia

Jovem de 23 anos que passou 11 meses lutando na Ucrânia voltou a Campo Grande e surpreendeu a mãe, que relata meses de angústia.

18/09/2026 às 19:26
3 min de leitura
Jovem brasileiro retorna de surpresa da guerra da Ucrânia e reencontra a mãe em Campo Grande
Rafael foi até o local de trabalho da mãe para “fazer surpresa” (Foto: Arquivo Pessoal)

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Rafael Araújo Diniz, de 23 anos, chegou de surpresa a Campo Grande nesta sexta-feira (18) após dois anos longe da família e 11 meses na guerra da Ucrânia. A primeira pessoa que procurou foi a mãe, a técnica de enfermagem Elidiane Chaves de Araújo. “Foi muita emoção. Quase desmaiei, passei mal. Agora é só alegria”, contou com a voz embargada.

O drama da espera

Nascido em Campo Grande, Rafael passou um ano em Santa Catarina antes de viajar para a Europa. A família acreditava que ele iria para a Espanha, mas, pelas redes sociais, a irmã percebeu que o trajeto era diferente. Depois, Rafael telefonou e contou que estava a caminho da Ucrânia. Na madrugada seguinte, enviou mensagem informando que já havia chegado ao país e pediu que respeitassem sua decisão.

“Ele não avisou que ia para a guerra. Eu entrei em desespero e pedi que voltasse”, relatou Elidiane. A notícia alterou a rotina de toda a família. A mãe passou meses sem conseguir se alimentar ou dormir adequadamente, recorrendo a medicamentos nos períodos em que não recebia notícias. A irmã também adoeceu emocionalmente, enquanto o pai e a avó enfrentavam a angústia da espera.

A experiência na guerra

Rafael afirma que comprou a própria passagem e viajou com ajuda de amigos que já estavam na Ucrânia e serviam em uma brigada. Antes de seguir para a missão, passou por 15 dias de treinamento. No total, permaneceu 11 meses no país e passou sete meses e 20 dias em missão, sem folga. Seu relato detalha:

  • Defesa Territorial: seis meses em trincheiras e posições próximas à linha de combate, tentando impedir o avanço russo.
  • Logística: um mês e 20 dias transportando suprimentos a pé, conduzindo militares de reposição, retirando feridos e resgatando corpos.

“Às vezes, a cada poucos passos, precisávamos nos esconder porque um drone poderia estar nos observando”, relatou.

Os perigos enfrentados

Para Rafael, os drones estavam entre os maiores perigos. Equipamentos de reconhecimento localizavam posições, que depois eram atacadas por drones FPV (kamikaze) ou artilharia. A ameaça vinha sem que os combatentes conseguissem identificar a origem.

As minas terrestres também provocavam medo — especialmente as enterradas, por não haver segurança sobre onde pisar. Além dos ataques, Rafael enfrentou fome, sede e privação de sono. Em uma situação extrema, afirma ter ficado nove dias sem água e comida ao lado de um companheiro, dependendo de suprimentos transportados por um drone “Babayaga”, que podia ser abatido.

Fé e mudança de visão

Rafael perdeu amigos em combate e presenciou companheiros chegando ao limite psicológico — alguns ameaçaram suicídio, outros atiraram no próprio pé para serem retirados. Nos momentos de medo, repetia o versículo de Isaías 41:10: “Não tema, pois estou com você”.

Apesar de não se arrepender, ele diz que sua compreensão da guerra mudou. “É triste ver pessoas morrerem e uma vida inteira de conquistas ser deixada para trás. É triste observar crianças, idosos e famílias vivendo com medo.” Hoje, considera que o conflito não pertence aos brasileiros e afirma que não recebeu remuneração pelo período na Ucrânia.

O reencontro

Rafael conta que apenas um tio sabia do retorno. Foi para a casa dele que seguiu antes de preparar a surpresa. A avó precisou ser avisada previamente para evitar impacto na saúde. Depois de abraçar a mãe no trabalho, ainda esperava a chegada do pai, que também seria surpreendido. “Foi uma experiência que mudou minha forma de enxergar a vida, a guerra e até a mim mesmo”, resumiu.

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Mariana Costa

Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.

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