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POLÍTICA

Milton Leite se rende à polícia suspeito de vínculo com o PCC

Ex-vereador se entregou na tarde desta sexta-feira em Mogi das Cruzes, após operação do Gaeco contra o PCC no transporte público.

18/09/2026 às 16:26
3 min de leitura
Ex-vereador Milton Leite se entrega à polícia suspeito de ligação com o PCC após operação Vectura Corrupta
Foto: Richard Lourenço/Rede Câmara

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Ex-vereador Milton Leite (União Brasil) se rendeu na tarde desta sexta-feira (18) em uma delegacia de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. Ele era alvo de prisão temporária na Operação Vectura Corrupta, deflagrada na quinta (17), e estava foragido. Acompanhado de advogado, afirmou que estava viajando e voltaria para provar a inocência.

A Polícia Civil e o Gaeco investigam Leite por suspeita de atuação do PCC no transporte público da capital. Relatório policial aponta que ele seria responsável direto por empresas controladas pela facção e “dono de fato” da Transwolff, já alvo da Operação Fim da Linha. A tese também aparece em depoimentos de PMs no Tribunal de Justiça Militar.

Dinheiro apreendido em imóvel de assessor

Nesta sexta, agentes foram até uma casa de assessor de Milton em Sorocaba e não o encontraram. No imóvel, havia dinheiro e documentos. Foram apreendidos:

  • R$ 280 mil em espécie
  • US$ 89 mil (cerca de R$ 457 mil)

Quem estava no local não soube explicar a origem do dinheiro. O nome do ex-vereador também aparece em conversas de José Daniel Satilite, apontado como integrante do PCC. Após a Operação Fim da Linha, Daniel teria dito ao advogado Milton Milreu que, se a UPBus fosse trocada pela Translider, seria preciso avisar Milton Leite.

Influência no setor de transportes

A polícia descreve o político como figura de forte influência no setor. Também cita uma empreiteira ligada a ele com contratos sob apuração com empresas de ônibus ligadas à facção, sem detalhar a construtora ou os contratos.

A Transwolff, por sua vez, afirma que Milton nunca teve participação societária, nunca geriu a empresa nem deu ordens, e considera a imputação equivocada. A empresa diz ainda que o empresário Luiz Carlos Efigenio Pacheco nunca havia sido denunciado até a Fim da Linha e que a intervenção da Prefeitura se baseia em questões financeiras, não criminais.

Desdobramento de operações anteriores

A Operação Vectura Corrupta é um desdobramento de investigações anteriores. Em abril de 2026, a Operação Contaminatio mirou uma fintech usada pelo PCC para se infiltrar em prefeituras e gerir tributos. A linha de investigação começou em agosto de 2024, com a Operação Decurio, após apreensão de 30 quilos de drogas em Itaquaquecetuba.

Dados do celular da mulher de um líder do PCC levaram à Sintonia Final e à fintech, que teria movimentado cerca de R$ 8 bilhões. Na primeira fase, também surgiram campanhas de vereadores patrocinadas pelo grupo e servidores comissionados em prefeituras.

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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