Advogado preso com R$ 22 mil segue com tornozeleira há 5 meses
Preso em maio com R$ 22,4 mil em dinheiro, o advogado Marcos Arruda dos Santos segue monitorado por tornozeleira eletrônica e impedido de atuar em processos do INSS.
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O advogado Marcos Arruda dos Santos, de 48 anos, continua usando tornozeleira eletrônica e está proibido de atuar em causas administrativas ou judiciais relacionadas ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). A restrição, imposta pela Justiça Federal de Campo Grande, completa cinco meses desde a prisão em flagrante ocorrida em 12 de maio deste ano.
Prisão em flagrante com R$ 22,4 mil
Marcos foi detido junto com Irene Tamilys Rodrigues de Abreu e Giovanna Alves de Lima, suspeitas de sacarem benefícios de salário-maternidade rural com documentação fraudulenta de segurada especial indígena. Na ocasião, a Polícia Federal apreendeu R$ 32,6 mil em dinheiro, sendo R$ 22,4 mil com o advogado.
- Valor total apreendido: R$ 32,6 mil
- Quantia encontrada com o advogado: R$ 22,4 mil
- Outras apreensões: quatro celulares e um caderno de anotações
Decisão judicial mantém monitoramento e restrição parcial
Em 16 de setembro, o juiz Felipe Bittencourt Potrich, da 3ª Vara Federal de Campo Grande, autorizou o advogado a voltar a exercer a profissão, desde que não atue em processos que envolvam interesses do INSS. A medida foi reiterada no dia 5 de outubro, quando o magistrado determinou a intimação de Marcos sobre a proibição pelo prazo de 180 dias e a manutenção da tornozeleira eletrônica.
A defesa havia recorrido das restrições iniciais, alegando que a suspensão total da advocacia comprometia a subsistência da família. O juiz acolheu parcialmente o pedido, limitando a proibição à área previdenciária, mas manteve o monitoramento eletrônico por considerar que o investigado vinha cumprindo as medidas cautelares sem tentativas de fuga ou novas infrações.
OAB-MS não consegue aplicar suspensão parcial
A OAB-MS (Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional de Mato Grosso do Sul) informou à Justiça que não possui condições técnicas de suspender parcialmente o cadastro profissional. Por isso, mesmo com a restrição judicial, o nome de Marcos ainda consta como regular no sistema da entidade. Diante disso, o MPF (Ministério Público Federal) pediu providências, e o juiz determinou a comunicação da Procuradoria do INSS para adoção de medidas administrativas. A decisão alerta que o descumprimento pode resultar em prisão preventiva.
Detalhes da investigação
O caso começou após a identificação de suspeitas de irregularidades em cinco benefícios de salário-maternidade rural concedidos com documentação de segurada especial indígena. Em depoimento, Irene e Giovanna negaram ser indígenas. Irene admitiu ter solicitado o benefício, enquanto Giovanna afirmou que foi procurada pelo advogado, que ofereceu encaminhar o pedido. Marcos optou por permanecer em silêncio.
A investigação apura possível estelionato contra a Previdência Social. Outros três benefícios concedidos com atuação do advogado também estão sob suspeita. Todas as medidas impostas têm caráter cautelar e não representam condenação.
Procurado, o defensor Cleverson Luiz dos Santos confirmou que seu cliente já foi intimado da decisão e pode advogar desde que não perante o INSS.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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