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ESTADO

Justiça liberta filho de líder do clã Haidar com medidas cautelares

A Justiça concedeu liberdade provisória a Fahd Haidar, investigado na Operação Ifrit, com medidas cautelares.

06/11/2026 às 18:18
3 min de leitura
Justiça concede liberdade provisória a filho de líder do clã Haidar investigado na Operação Ifrit
No dia 08/11/2022, em festa promovid pelo primo, Fahd envia fotos de uma videochamada aparece portando armas longas, diz relatório da PF (Foto: Reprodução)

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A Justiça Federal concedeu liberdade provisória a Fahd Haidar, de 25 anos, filho de Nasser Haidar, apontado pela Polícia Federal como um dos líderes do grupo familiar investigado na Operação Ifrit. A decisão é desta quinta-feira (5).

Fahd é investigado por suspeita de integrar organização criminosa que teria movimentado pelo menos R$ 500 milhões com tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro e corrupção de policiais.

Justiça impõe medidas cautelares a investigado do clã Haidar

O juiz homologou a prisão em flagrante, mas considerou que não cabia decretar a prisão preventiva naquele processo. A decisão determina a expedição urgente do alvará de soltura, sem afastar eventuais mandados de prisão em outros procedimentos.

Fahd terá que cumprir as seguintes medidas:

  • Recolhimento domiciliar das 22h às 5h30, inclusive fins de semana e feriados.
  • Comparecimento à Justiça a cada dois meses para informar atividades.
  • Manter endereço atualizado e comunicar previamente mudanças de residência.
  • Comunicar ausências de oito dias ou mais.
  • Comparecer a todos os atos do inquérito e de eventual ação penal.

O descumprimento das medidas pode levar à decretação da prisão preventiva.

Empresa de filho de líder é suspeita de ocultar patrimônio

Fahd aparece nas investigações como possível responsável por manter bens e movimentar recursos em benefício do pai. A PF suspeita que a família usava empresas e parentes para ocultar patrimônio de origem criminosa.

Um dos principais pontos é a empresa Pecuária e Hípica C.H.F.H., registrada em nome de Fahd em 2019, quando ele completou 18 anos. O empreendimento ocupa área de aproximadamente 30 hectares nos arredores de Ponta Porã, adquirida anteriormente pela mãe dele, Tania Hazime Bitencourt.

Segundo a Justiça Federal, a empresa declarou ausência de receitas e atividades entre 2020 e 2023. Mesmo assim, os investigadores identificaram movimentações financeiras, manutenção de empregados e aquisição de veículos de alto padrão.

Entre os bens registrados em nome da empresa estão:

  • BMW X6
  • Dodge RAM 2500 Laramie
  • Volkswagen Saveiro

A investigação apontou que Nasser pagou 22 boletos relacionados à aquisição da BMW, que somaram R$ 323,1 mil entre julho de 2022 e maio de 2024.

Depósitos em espécie e compra de cavalo de R$ 400 mil

A PF também encontrou registros de depósitos em espécie nas contas de Fahd. Foram 90 operações, que totalizaram R$ 302,3 mil no período analisado.

Outro episódio investigado envolve a compra de um cavalo por R$ 400 mil. Segundo a PF, Adule Vasques Haidar, filho de Adel Hassan Haidar, realizou quatro depósitos de R$ 100 mil relacionados à negociação. Os investigadores suspeitam que os recursos possam ter origem criminosa.

A decisão judicial menciona ainda dois imóveis comerciais registrados em nome de Fahd desde 2013, quando ele era adolescente. Os bens foram avaliados em aproximadamente R$ 674 mil e têm Nasser como usufrutuário vitalício.

Imagens mostram investigado com armas longas

A PF relaciona Fahd a um episódio ocorrido em março de 2024, em Pedro Juan Caballero, no Paraguai. Segundo as investigações, ele foi detido com outros brasileiros após disparos contra uma residência.

O relatório menciona mais de 20 disparos e informa que um dos projéteis atingiu um hospital público da cidade. A ocorrência também envolveu Mamede Alhaj Haidar, outro integrante da família investigado.

Os policiais federais encontraram imagens de novembro de 2022 nas quais Fahd e Mamede aparecem com armas longas e pistolas durante uma videochamada com Adule. Outro registro mostra Fahd com um fuzil equipado com carregadores de grande capacidade em uma caminhonete, durante encontro com o tio Bassam Hassan Haidar Ahmed em uma propriedade rural de Mato Grosso.

A PF considera esses elementos indícios de ligação do investigado com o núcleo armado da organização.

Operação Ifrit investiga organização familiar na fronteira

Deflagrada na quarta-feira (4), a Operação Ifrit investiga uma organização criminosa de base familiar que teria estabelecido estrutura para o tráfico internacional de drogas e armas na fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai.

A ofensiva teve como alvos integrantes da família Haidar, empresários, operadores financeiros e policiais suspeitos de fornecer proteção ao grupo. A operação incluiu:

  • 76 mandados de busca e apreensão
  • 25 prisões preventivas
  • 1 prisão temporária
  • Medidas de monitoramento eletrônico
  • Afastamento de três policiais civis

Os investigadores apontam os irmãos Adel, Bassam e Nasser Haidar como integrantes da cúpula da organização, que teria usado empresas para movimentar recursos do tráfico, corrompido agentes públicos e recorrido à violência contra rivais.

Defesa diz que inocência de investigado será demonstrada

Em nota divulgada na quinta-feira (5), a defesa de Fahd Haidar informou que analisa as acusações e os elementos da investigação, que tramita sob sigilo judicial.

Os advogados afirmaram que apresentarão suas manifestações sobre o mérito do caso no processo e demonstraram confiança na Justiça. A defesa declarou estar convicta de que a inocência de Fahd será demonstrada e ressaltou que a investigação e a imposição de medidas cautelares não representam reconhecimento de culpa.

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Mariana Costa

Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.

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