Justiça liberta filho de líder do clã Haidar com medidas cautelares
A Justiça concedeu liberdade provisória a Fahd Haidar, investigado na Operação Ifrit, com medidas cautelares.
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A Justiça Federal concedeu liberdade provisória a Fahd Haidar, de 25 anos, filho de Nasser Haidar, apontado pela Polícia Federal como um dos líderes do grupo familiar investigado na Operação Ifrit. A decisão é desta quinta-feira (5).
Fahd é investigado por suspeita de integrar organização criminosa que teria movimentado pelo menos R$ 500 milhões com tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro e corrupção de policiais.
Justiça impõe medidas cautelares a investigado do clã Haidar
O juiz homologou a prisão em flagrante, mas considerou que não cabia decretar a prisão preventiva naquele processo. A decisão determina a expedição urgente do alvará de soltura, sem afastar eventuais mandados de prisão em outros procedimentos.
Fahd terá que cumprir as seguintes medidas:
- Recolhimento domiciliar das 22h às 5h30, inclusive fins de semana e feriados.
- Comparecimento à Justiça a cada dois meses para informar atividades.
- Manter endereço atualizado e comunicar previamente mudanças de residência.
- Comunicar ausências de oito dias ou mais.
- Comparecer a todos os atos do inquérito e de eventual ação penal.
O descumprimento das medidas pode levar à decretação da prisão preventiva.
Empresa de filho de líder é suspeita de ocultar patrimônio
Fahd aparece nas investigações como possível responsável por manter bens e movimentar recursos em benefício do pai. A PF suspeita que a família usava empresas e parentes para ocultar patrimônio de origem criminosa.
Um dos principais pontos é a empresa Pecuária e Hípica C.H.F.H., registrada em nome de Fahd em 2019, quando ele completou 18 anos. O empreendimento ocupa área de aproximadamente 30 hectares nos arredores de Ponta Porã, adquirida anteriormente pela mãe dele, Tania Hazime Bitencourt.
Segundo a Justiça Federal, a empresa declarou ausência de receitas e atividades entre 2020 e 2023. Mesmo assim, os investigadores identificaram movimentações financeiras, manutenção de empregados e aquisição de veículos de alto padrão.
Entre os bens registrados em nome da empresa estão:
- BMW X6
- Dodge RAM 2500 Laramie
- Volkswagen Saveiro
A investigação apontou que Nasser pagou 22 boletos relacionados à aquisição da BMW, que somaram R$ 323,1 mil entre julho de 2022 e maio de 2024.
Depósitos em espécie e compra de cavalo de R$ 400 mil
A PF também encontrou registros de depósitos em espécie nas contas de Fahd. Foram 90 operações, que totalizaram R$ 302,3 mil no período analisado.
Outro episódio investigado envolve a compra de um cavalo por R$ 400 mil. Segundo a PF, Adule Vasques Haidar, filho de Adel Hassan Haidar, realizou quatro depósitos de R$ 100 mil relacionados à negociação. Os investigadores suspeitam que os recursos possam ter origem criminosa.
A decisão judicial menciona ainda dois imóveis comerciais registrados em nome de Fahd desde 2013, quando ele era adolescente. Os bens foram avaliados em aproximadamente R$ 674 mil e têm Nasser como usufrutuário vitalício.
Imagens mostram investigado com armas longas
A PF relaciona Fahd a um episódio ocorrido em março de 2024, em Pedro Juan Caballero, no Paraguai. Segundo as investigações, ele foi detido com outros brasileiros após disparos contra uma residência.
O relatório menciona mais de 20 disparos e informa que um dos projéteis atingiu um hospital público da cidade. A ocorrência também envolveu Mamede Alhaj Haidar, outro integrante da família investigado.
Os policiais federais encontraram imagens de novembro de 2022 nas quais Fahd e Mamede aparecem com armas longas e pistolas durante uma videochamada com Adule. Outro registro mostra Fahd com um fuzil equipado com carregadores de grande capacidade em uma caminhonete, durante encontro com o tio Bassam Hassan Haidar Ahmed em uma propriedade rural de Mato Grosso.
A PF considera esses elementos indícios de ligação do investigado com o núcleo armado da organização.
Operação Ifrit investiga organização familiar na fronteira
Deflagrada na quarta-feira (4), a Operação Ifrit investiga uma organização criminosa de base familiar que teria estabelecido estrutura para o tráfico internacional de drogas e armas na fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai.
A ofensiva teve como alvos integrantes da família Haidar, empresários, operadores financeiros e policiais suspeitos de fornecer proteção ao grupo. A operação incluiu:
- 76 mandados de busca e apreensão
- 25 prisões preventivas
- 1 prisão temporária
- Medidas de monitoramento eletrônico
- Afastamento de três policiais civis
Os investigadores apontam os irmãos Adel, Bassam e Nasser Haidar como integrantes da cúpula da organização, que teria usado empresas para movimentar recursos do tráfico, corrompido agentes públicos e recorrido à violência contra rivais.
Defesa diz que inocência de investigado será demonstrada
Em nota divulgada na quinta-feira (5), a defesa de Fahd Haidar informou que analisa as acusações e os elementos da investigação, que tramita sob sigilo judicial.
Os advogados afirmaram que apresentarão suas manifestações sobre o mérito do caso no processo e demonstraram confiança na Justiça. A defesa declarou estar convicta de que a inocência de Fahd será demonstrada e ressaltou que a investigação e a imposição de medidas cautelares não representam reconhecimento de culpa.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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