Justiça bloqueia veto de Trump a estudantes estrangeiros em Harvard
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Tribunal suspende ordem que proibia entrada de alunos internacionais e universidade acusa o governo de retaliação ideológica.
Um tribunal federal dos Estados Unidos suspendeu, na última quinta-feira (5), uma nova medida do ex-presidente Donald Trump que tentava impedir a entrada de estudantes estrangeiros na Universidade de Harvard. A ordem, publicada pela Casa Branca um dia antes, buscava barrar a chegada de novos alunos internacionais e ameaçava revogar vistos de quem já estivesse matriculado.
Segundo o governo Trump, a conduta de Harvard a tornaria um “destino inadequado” para pesquisadores e estudantes estrangeiros. A universidade reagiu de imediato, alterando uma ação judicial já em andamento e classificando a medida como parte de uma “campanha crescente de retaliação” por parte da administração republicana.
Na decisão, a juíza Allison Burroughs afirmou que Harvard corria risco de sofrer danos imediatos e irreversíveis, caso a ordem não fosse barrada. Ela já havia bloqueado outra tentativa semelhante de Trump em decisões anteriores.
Harvard sustenta que o governo busca se vingar da instituição por ela exercer sua liberdade de expressão, garantida pela Primeira Emenda. A universidade argumenta que as pressões da Casa Branca envolvem tentativas de interferir em sua governança, plano pedagógico e liberdade ideológica.
Trump intensificou os ataques contra universidades de elite, acusando-as de promover políticas de diversidade e tolerar manifestações pró-Palestina. Harvard, que integra o seleto grupo da Ivy League, se tornou o principal alvo do ex-presidente. O governo suspendeu aproximadamente US$ 3,2 bilhões (cerca de R$ 17,9 bilhões) em subsídios federais e excluiu a universidade de novos repasses, além de ameaçar acabar com benefícios fiscais.
A decisão suspensa atingiria principalmente os novos estudantes internacionais, que representam 27% dos alunos matriculados para o ano letivo de 2024-2025. No entanto, mesmo aqueles que já estudam em Harvard seguem com incertezas sobre o futuro, especialmente quanto à possibilidade de reingresso nos Estados Unidos após as férias de verão.
Um estudante indiano da Harvard Kennedy School, que preferiu não se identificar, revelou preocupação com a falta de respostas da instituição. “Sabíamos que seria um verão difícil, mas até agora não recebemos nenhum posicionamento oficial”, disse.
Outro estudante, Alfred Williamson, galês-dinamarquês do curso de Física e Políticas Públicas, criticou duramente a postura do governo. “Isso é mais uma demonstração autoritária de abuso de poder, punindo alunos internacionais por estudarem em uma universidade que se recusa a ceder às pressões”, afirmou.
Trump, que desde seu retorno à presidência voltou a mirar no meio acadêmico, também ameaçou retirar o credenciamento da Universidade de Columbia. A instituição, diferentemente de Harvard, aceitou parte das exigências do governo para garantir a manutenção dos recursos.
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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