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POLÍTICA

PGR denuncia Rodrigo Bacellar e TH Joias por obstrução de Justiça e vazamento de informações ao Comando Vermelho

Presidente afastado da Alerj, ex-deputado e desembargador federal são acusados de envolvimento em esquema que beneficiava a facção criminosa.

17/03/2026 às 00:44
3 min de leitura
Popular passa diante de muro pichado com as iniciais do Comando Vermelho

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A Procuradoria-Geral da República (PGR) formalizou denúncia contra o presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, o ex-deputado estadual TH Joias e o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto. A acusação é de obstrução de Justiça e vazamento de informações sigilosas de investigações que miravam lideranças do Comando Vermelho.

O Supremo Tribunal Federal (STF) agora irá analisar se aceita a denúncia. Caso seja acolhida, Bacellar, TH Joias e Macário passarão a ser réus em um processo penal na Corte. O ministro Alexandre de Moraes é o relator da investigação.

Em nota, a defesa de Bacellar alegou que a acusação da PGR se baseia em “ilações e narrativas repetidamente refutadas”. O Estadão informou ter solicitado manifestação das defesas de TH Joias e Macário Judice, mantendo o espaço aberto para seus posicionamentos.

Detalhes da Investigação

De acordo com a Polícia Federal (PF), Bacellar é suspeito de vazar informações da Operação Zargun, que culminou na prisão de TH Joias, então deputado estadual, sob a acusação de ligação criminosa com o Comando Vermelho. TH Joias foi detido em setembro sob acusações de tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro, sendo apontado como negociador de armas, fuzis e equipamentos antidrones para a facção, utilizando seu mandato para favorecer os criminosos.

A suspeita de vazamento da Operação Zargun foi levantada inicialmente pelo procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro, Antonio José Campos Moreira, no dia da prisão de TH Joias. Ele anunciou a abertura de uma investigação sobre o possível vazamento após indícios de tentativa de fuga e destruição de provas.

As investigações da Operação Zargun revelaram um esquema de corrupção envolvendo a liderança da facção no Complexo do Alemão e agentes políticos e públicos, incluindo um delegado da PF, policiais militares, um ex-secretário municipal e estadual, além de TH Joias.

Segundo a PF, a organização criminosa se infiltrou na administração pública para garantir impunidade, acesso a informações sigilosas e importar armas do Paraguai e equipamentos antidrone da China, que eram revendidos até para facções rivais.

Prisão de Bacellar e Licença do Mandato

Rodrigo Bacellar foi preso em dezembro pela Polícia Federal, no âmbito da Operação Unha e Carne. A ordem de prisão foi expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, relator da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) das Favelas. Segundo Moraes, a PF argumentou que Bacellar orientou TH Joias na “remoção de objetos de sua residência”, indicando envolvimento no encobrimento da atuação dos órgãos de persecução penal.

Afastado da presidência da Alerj, Bacellar renovou o pedido de licença do mandato, estando sem exercer o cargo desde 10 de dezembro. Ele ocupava o comando da Casa desde 2023 e chegou a ocupar interinamente o cargo de governador na ausência do titular Cláudio Castro (PL).

Cinco dias após a prisão determinada por Moraes, o plenário da Alerj decidiu, por 42 votos a 21, pela soltura de Bacellar.

Encontro Suspeito

A análise do celular de Bacellar pela PF indica um encontro entre ele e o desembargador Macário Judice Neto em uma churrascaria no Aterro do Flamengo, na véspera da deflagração da Operação Zargun. Macário Judice Neto era o relator da investigação no Tribunal Regional Federal da 2ª Região.

Segundo a PF, a reunião “permite concluir que ambos provavelmente estavam juntos no momento em que TH J[oias]…”. A investigação prossegue para apurar o grau de envolvimento de cada um dos denunciados no esquema.

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Mariana Costa

Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.

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