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INTERNACIONAL

Flórida investiga ChatGPT por possível auxílio em tiroteio na Universidade Estadual

Procuradoria apura se chatbot ofereceu 'aconselhamento significativo' ao atirador antes do ataque que matou duas pessoas em 2023.

21/04/2026 às 15:35
3 min de leitura
OpenAI

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A Procuradoria-Geral da Flórida abriu uma investigação criminal contra o ChatGPT e sua controladora, a OpenAI. A medida foi tomada após análise de mensagens trocadas entre o chatbot e o homem acusado de matar duas pessoas na Universidade Estadual da Flórida em abril do ano passado.

Segundo o procurador-geral do estado, James Uthmeier, as conversas indicam que o ChatGPT pode ter “oferecido aconselhamento significativo ao atirador antes de ele cometer crimes tão hediondos”. Ele citou trechos em que o suspeito questiona sobre o poder de uma arma a curta distância e sobre quais munições poderiam ser utilizadas.

“Meus promotores analisaram isso e disseram que, se fosse uma pessoa do outro lado da tela, estaríamos apresentando acusações de homicídio”, declarou Uthmeier em entrevista coletiva em Tampa.

O Ataque e a Investigação

O ataque ocorreu próximo ao centro estudantil da universidade, em Tallahassee. Duas pessoas morreram e outras seis ficaram feridas, incluindo ao menos um estudante. O suspeito, na época com 20 anos e aluno da instituição, responde a múltiplas acusações de homicídio e tentativa de homicídio e aguarda julgamento sob custódia.

Promotores reuniram como prova mensagens trocadas entre o suspeito e o ChatGPT. No dia do ataque, ele perguntou ao chatbot como o país reagiria a um tiroteio na universidade e qual era o horário de maior movimento no centro estudantil, conforme registros obtidos pelo The New York Times.

Uthmeier havia anunciado em 9 de abril a abertura de uma investigação sobre a OpenAI e o ChatGPT. Nesta terça-feira (21), confirmou que a apuração civil iniciada no começo do mês sobre a eventual responsabilidade da empresa seguirá em paralelo à investigação criminal.

Em nota anterior, a OpenAI afirmou que cooperará com as autoridades. “Desenvolvemos o ChatGPT para compreender a intenção das pessoas e responder de forma segura e apropriada, e seguimos aprimorando a tecnologia”, declarou a empresa. Procurada novamente nesta terça, a OpenAI não respondeu de imediato.

Uthmeier reconheceu que a OpenAI é uma empresa – e não uma pessoa – e afirmou que investigar eventual responsabilidade criminal nesse caso representa um território jurídico inexplorado. Ele declarou ter o dever de apurar se “seres humanos podem ter participado do desenho, da gestão e da operação” do chatbot a ponto de justificar responsabilização penal. O gabinete pretende intimar a empresa a apresentar documentos, incluindo políticas internas e materiais de treinamento sobre como lidar com usuários que possam representar risco a si próprios ou a terceiros.

Uthmeier foi nomeado procurador-geral no ano passado pelo governador Ron DeSantis e concorre a um mandato completo neste ano. DeSantis, também republicano, tem defendido medidas para limitar o poder da inteligência artificial – uma posição que o coloca em desacordo com a abordagem mais favorável à tecnologia adotada pela Casa Branca. O governador solicitou ao Legislativo estadual que estabeleça regras para o uso de IA em uma sessão especial na próxima semana.

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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