Tribunal israelense prorroga prisão de ativistas da flotilha de Gaza; Brasil e Espanha exigem libertação
Brasileiro Thiago Ávila e espanhol-palestino Saif Abu Keshek terão detenção estendida até domingo (10) em Ashkelon, enquanto advogada denuncia "tortura psicológica" e governos condenam ação.
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Um tribunal israelense decidiu nesta terça-feira (5) estender até domingo (10) a prisão do brasileiro Thiago Ávila e do espanhol-palestino Saif Abu Keshek, dois ativistas da flotilha humanitária para Gaza. Os dois foram detidos na semana passada, perto da costa da Grécia, enquanto tentavam romper o bloqueio naval israelense à Faixa de Gaza, e são acusados por Israel de terem vínculos com o movimento islamista palestino Hamas, alegações que ambos negam veementemente.
Ávila e Keshek compareceram pela segunda vez a um tribunal em Ashkelon, a cerca de 60 quilômetros de Tel Aviv, onde foram observados com os pés algemados por um jornalista da AFP presente. Hadeel Abu Salih, advogada da organização israelense de direitos humanos Adalah, que representa os ativistas, criticou duramente a decisão. “O tribunal concedeu um segundo adiamento de seis dias, dando à polícia o que ela pediu e luz verde para continuar com esta medida ilegal”, afirmou Abu Salih, denunciando que os ativistas estão sofrendo “tortura psicológica” durante a detenção.
Os ativistas foram capturados a bordo da flotilha Global Sumud, que tinha como objetivo levar ajuda humanitária e chamar a atenção para a crise humanitária no território palestino devastado pela guerra, onde o acesso à assistência é severamente restrito. A ONG Adalah, que conseguiu visitá-los, também denunciou “maus-tratos” sofridos na prisão, acusações que foram rejeitadas pelas autoridades israelenses.
A situação gerou forte reação internacional. O governo espanhol expressou “indignação”, classificando as prisões como “ilegais” e “inaceitáveis”, e exigiu a apresentação de provas dos alegados vínculos com o Hamas. Da mesma forma, o Brasil exigiu a libertação imediata de Thiago Ávila. No domingo (3), os tribunais israelenses já haviam validado uma primeira prorrogação de dois dias de sua detenção.
Israel, por sua vez, mantém a acusação de que os dois ativistas têm ligações com a Conferência Popular para os Palestinos no Exterior (PCPA), uma organização sancionada pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos sob a alegação de agir clandestinamente em nome do Hamas. A advogada dos ativistas, contudo, vê a prorrogação como uma “tentativa de criminalizar qualquer demonstração de solidariedade com o povo palestino e qualquer tentativa de romper o cerco ilegal a Gaza”.
A ONG Adalah informou que planeja recorrer da decisão a um tribunal distrital, buscando a liberação dos ativistas e contestando a legalidade de sua detenção prolongada em um contexto de crescente tensão e preocupação internacional com a situação humanitária em Gaza.
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André Vilela
Formado em Comunicação Social, atua no jornalismo digital com foco na agilidade e precisão da informação. Cobre o cotidiano das cidades sul-mato-grossenses, trazendo os fatos assim que eles acontecem. Apaixonado por tecnologia e novas mídias.
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