Corte israelense mantém prisão de ativistas da Flotilha de Gaza; Brasil e ONU exigem libertação
Thiago Ávila e Saif Abu Keshek, detidos em águas internacionais, têm apelo negado; acusações de Israel e denúncias de maus-tratos geram crise diplomática.
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Uma corte de apelação israelense confirmou nesta quarta-feira, 6 de maio de 2026, a prorrogação da prisão do ativista brasileiro Thiago Ávila e do espanhol-palestino Saif Abu Keshek, detidos em águas internacionais durante uma missão humanitária rumo à Faixa de Gaza. A decisão mantém os dois sob custódia até domingo, 10 de maio, em meio a crescentes apelos internacionais por sua libertação imediata.
Ávila e Abu Keshek foram interceptados por forças israelenses na quinta-feira, 1º de maio, em frente à costa da ilha grega de Creta, e subsequentemente levados para Israel para interrogatório. Os demais ativistas que integravam a flotilha, que partiu da França, Espanha e Itália com o objetivo de romper o bloqueio a Gaza e entregar ajuda humanitária, foram transferidos para uma ilha grega e libertados.
A detenção inicial, prorrogada na terça-feira, 5 de maio, para permitir mais tempo de investigação policial, foi alvo de um recurso que acabou rejeitado nesta quarta-feira. “O tribunal de Beerseba aceitou todos os argumentos que o Estado e a polícia apresentaram à corte, mantendo a decisão anterior”, declarou à AFP a advogada Hadeel Abu Salih, que representa os ativistas. Ela classificou a prisão como “ilegal, ocorrida em águas internacionais, onde os ativistas foram sequestrados por um navio israelense sem qualquer autoridade”.
Embora não tenham sido formalmente acusados, Israel alega que Ávila e Abu Keshek possuem vínculos com o movimento palestino Hamas e com a Conferência Popular para os Palestinos no Exterior (PCPA), grupo que os Estados Unidos acusam de atuar clandestinamente em nome da organização islamista. A ONG israelense Adalah, que os representa, denunciou a detenção como ilegal e informou que as autoridades os acusam de “ajudar o inimigo em tempo de guerra” e de “pertencer a uma organização terrorista e prestar serviços a ela”. A organização também reportou maus-tratos, incluindo “isolamento total, iluminação intensa 24 horas por dia, sete dias por semana” e uso de vendas nos olhos durante transferências e exames médicos, acusações que as autoridades israelenses negam.
O caso ganhou repercussão internacional, com Brasil, Espanha e a Organização das Nações Unidas (ONU) pedindo a libertação imediata e incondicional dos ativistas. Thameen Al-Kheetan, porta-voz do escritório de direitos humanos da ONU, reiterou a demanda nesta quarta-feira. Presentes na audiência de apelação com algemas nos tornozelos, Thiago Ávila foi descrito por um jornalista da AFP como tranquilo, enquanto Saif Abu Keshek apresentava sinais de esgotamento.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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