Operação Compliance Zero mira Ciro Nogueira e reacende pressão por CPMI do Banco Master
Senador Flávio Bolsonaro elogia ação da PF autorizada pelo STF e exige instalação de comissão parlamentar mista de inquérito para investigar a instituição financeira.
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A Polícia Federal (PF) deflagrou na última quinta-feira (7 de maio) a quinta fase da Operação Compliance Zero, que apura supostas fraudes envolvendo o Banco Master. A ação, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), teve como um dos alvos o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Em repercussão imediata, o senador e pré-candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), elogiou a decisão de Mendonça e cobrou publicamente a instauração da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar a instituição financeira.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Bolsonaro afirmou que “o Brasil espera que tudo seja apurado até o fim, sem blindagem, sem acordão, sem proteção política” e que “o Congresso Nacional tem obrigação de fazer a sua parte. É por isso que a CPMI do Banco Master precisa sair do papel”. A decisão de Mendonça que autorizou a operação indica que Ciro Nogueira teria atuado em favor do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, em troca de “vantagens econômicas indevidas”. Em entrevista concedida em 2 de fevereiro deste ano, o senador piauiense havia declarado que sua relação com Vorcaro era a mesma que “qualquer político em Brasília tem com banqueiros”, defendendo que uma emenda de sua autoria para ampliar o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) não beneficiaria o Banco Master, mas “apenas corrige um problema existente há 10 anos”.
O requerimento para a criação da CPMI do Banco Master, de autoria do deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), foi protocolado no Congresso Nacional em 3 de fevereiro deste ano, contando com as assinaturas de 238 deputados e 42 senadores. Para que o colegiado seja instalado, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), precisa ler o requerimento em sessão conjunta do Congresso. Diante da demora, os senadores Eduardo Girão (Novo-CE), Alessandro Vieira (MDB-SE) e Plínio Valério (PSDB-AM) protocolaram um mandado de segurança no STF em 25 de março deste ano, solicitando a abertura da CPMI. O pedido foi distribuído ao ministro Kassio Nunes Marques.
Após a recente operação da PF, os senadores Alessandro Vieira e Eduardo Girão solicitaram ao STF a suspeição do ministro Kassio Nunes Marques para analisar o mandado de segurança. Os parlamentares pediram a redistribuição da relatoria em razão da “relação íntima e notória” do magistrado com Ciro Nogueira, levantando questionamentos sobre a imparcialidade do processo.
O Banco Central já havia determinado a liquidação extrajudicial do Banco Master em 18 de novembro do ano passado (2025), após identificar indícios de irregularidades financeiras e uma grave crise de liquidez. Em 21 de janeiro deste ano, o Will Bank, braço digital do Master, teve seu encerramento forçado. O processo de liquidação é acompanhado pela Operação Compliance Zero, que teve sua primeira fase deflagrada pela PF também em 18 de novembro do ano passado, com o objetivo de combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, foi preso um dia antes, em 17 de novembro de 2025, diante da possibilidade de fuga.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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