Hantavírus em Cruzeiro: Francês Repatriado Apresenta Sintomas; Operação Global de Desembarque Acelera
Cerca de 150 ocupantes do Hondius são evacuados em Tenerife após surto que matou três pessoas; OMS elogia coordenação espanhola.
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Um cidadão francês repatriado neste domingo, 10 de maio de 2026, após ser evacuado do cruzeiro Hondius, afetado por um surto de hantavírus, apresenta “sintomas”, conforme anunciou o primeiro-ministro Sébastien Lecornu. A revelação intensifica as preocupações enquanto autoridades espanholas coordenam o desembarque de cerca de 150 ocupantes do navio em Tenerife, nas Ilhas Canárias, em uma complexa operação de saúde pública.
A embarcação Hondius, que partiu da Argentina em 1º de abril, tornou-se o epicentro de um surto de hantavírus que resultou na morte de três passageiros. No porto de Granadilla, em Tenerife, os ocupantes, vestidos em trajes de proteção azuis, desciam em pequenos grupos, sendo transferidos do navio para o cais em lanchas, conforme reportado pela agência AFP. Até o final da tarde de domingo, voos com destino à Espanha, França e Canadá, além de uma aeronave holandesa com passageiros de múltiplas nacionalidades, incluindo um argentino e um guatemalteco, já haviam decolado.
Em Paris, o primeiro-ministro Lecornu confirmou que, dos cinco cidadãos franceses repatriados, um deles manifestou “sintomas no avião”. “Esses cinco passageiros foram colocados imediatamente em isolamento rigoroso até novo aviso”, declarou Lecornu, acrescentando que o governo emitirá um decreto para formalizar e impor tais medidas de contenção sanitária.
Apesar do cenário de alarme global, alguns passageiros relataram uma rotina de certa normalidade a bordo após os casos iniciais. Carlo Ferello, um engenheiro aposentado argentino que fará quarentena nos Países Baixos, disse ao canal TN que o ambiente não era “preocupante” e que “não apareceram mais” casos após os primeiros. “Eu estava sozinho, então sempre comia, tomava café da manhã, almoçava, jantava sozinho, não tinha muito contato (…) A vida continuou, digamos, normal”, detalhou.
A diretora de Proteção Civil espanhola, Virginia Barcones, informou à RTVE que a operação de desembarque e repatriação segue o planejado, com previsão de que o navio zarpe rumo aos Países Baixos às 19h00 (horário local) de segunda-feira. Os primeiros a deixar o Hondius foram os catorze cidadãos espanhóis, que, após desembarcarem em ônibus da Unidade Militar de Emergência (UME) com barreiras profiláticas, foram levados ao aeroporto de Tenerife Sul. Lá, passaram por um processo de troca de trajes de proteção e desinfecção antes de decolar para Madri, onde cumprirão quarentena em um hospital militar.
A mesma rigorosa operação será aplicada aos demais passageiros e membros da tripulação de diferentes nacionalidades, com o último voo, para a Austrália, previsto para segunda-feira. A complexa logística conta com a supervisão in loco do diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, que elogiou a atuação espanhola. “A operação começou e está indo muito bem. Agradecemos também a coordenação por parte da Espanha, e a UE também está aqui”, declarou Ghebreyesus, sublinhando o esforço conjunto internacional.
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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