Kevin Warsh Assume Presidência do Federal Reserve Sob Dúvidas de Autonomia
Nomeação aprovada por 54 a 45 votos no Senado encerra mandato de Jerome Powell e inicia nova era no BC dos EUA em meio a pressões por juros e debate sobre independência.
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O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta quarta-feira (13), por 54 votos a 45, a nomeação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano. A decisão consolida uma aguardada troca de comando em um momento de intenso escrutínio sobre a independência da instituição e de crescente pressão da Casa Branca por juros mais baixos. O mandato de quatro anos de Warsh à frente do Fed terá início já nesta sexta-feira (15), com o término do período de Jerome Powell, e o novo presidente deverá comandar a próxima reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) em junho.
A confirmação de Warsh, indicado pelo presidente Donald Trump em janeiro deste ano, foi acelerada pela maioria republicana no plenário do Senado, garantindo uma transição suave antes do fim do mandato de Powell. Sua aprovação para a cadeira de diretor do Conselho do Fed, para um mandato de 14 anos, já havia ocorrido na terça-feira. Warsh assume a vaga no Conselho anteriormente ocupada por Stephen Miran, cujo mandato terminou em janeiro.
A chegada de Warsh ao comando do Fed é marcada por questionamentos sobre o grau de autonomia da instituição diante da Casa Branca. Durante sua sabatina no Senado, o economista defendeu a independência da política monetária como “essencial”, mas evitou criticar as reiteradas pressões públicas de Trump por cortes de juros. Ele também minimizou a ameaça que comentários de autoridades eleitas representam à independência operacional do Fed, declarações que alimentaram críticas de ex-dirigentes, como Eric Rosengren, ex-presidente do Fed de Boston, que expressou dúvidas sobre a disposição de Warsh em divergir da administração republicana.
Apesar das preocupações com a autonomia, parte do mercado interpretou o depoimento de Warsh como relativamente mais “hawkish” (favorável a políticas monetárias mais restritivas). Em análise pós-audiência, o Bank of America (BofA) destacou que Warsh não apresentou argumentos convincentes para cortes de juros no curto prazo, sinalizando preferência por uma postura cautelosa diante da inflação. O banco também ressaltou as críticas do novo presidente ao uso excessivo de “orientação futura” (forward guidance) e sua defesa por mudanças na comunicação do Fed.
Entre as propostas de Warsh, destaca-se a defesa por uma redução mais agressiva do balanço patrimonial do banco central, atualmente acima de US$ 6 trilhões. Antes mesmo de sua indicação, ele argumentou que o Fed deveria diminuir significativamente sua carteira de ativos e abandonar gradualmente a concentração em títulos longos do Tesouro americano. No entanto, analistas, incluindo a Fitch, avaliam que qualquer movimento mais profundo nesse sentido será arriscado, improvável de ser feito rapidamente e dependerá de coordenação com o Tesouro e de apoio do restante do FOMC.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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