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INTERNACIONAL

Marjane Satrapi, voz de ‘Persépolis’, morre em Paris “de tristeza” aos 56 anos

Aclamada artista franco-iraniana, conhecida por sua obra autobiográfica e ativismo, faleceu um ano após a perda de seu marido, Mattias Ripa, deixando um legado inestimável na defesa dos direitos humanos.

05/06/2026 às 00:16
3 min de leitura
(FILES) Iranian writer and film director Marjane Satrapi poses during the photocall of her latest film "La bande des Jotas" (Gang of the Jotas) in Rome, on November 16, 2012 during the seventh edition of the Rome film festival. The Franco-Iranian artist Marjane Satrapi, who gained worldwide recognition with the graphic novel and film "Persepolis," has died at the age of 56, AFP learned on June 4, 2026 from her relatives. (Photo by TIZIANA FABI / AFP)

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A renomada artista franco-iraniana Marjane Satrapi, mundialmente aclamada pela graphic novel e pelo filme “Persépolis”, onde narrou sua infância na República Islâmica do Irã, faleceu em Paris aos 56 anos. A família divulgou nesta quinta-feira (4) que a causa da morte foi “de tristeza”, um ano após o falecimento de seu marido e companheiro, Mattias Ripa.

“Marjane Satrapi morreu de tristeza mais de um ano após o falecimento de Mattias Ripa, seu marido e o amor de sua vida”, afirmou a família em comunicado à AFP. O produtor, ator e diretor sueco havia morrido em 8 de abril de 2025, deixando a artista em profundo luto. Exilada na França desde 1994 e naturalizada francesa em 2006, Satrapi construiu uma ponte entre culturas através de sua arte.

Sua saga autobiográfica “Persépolis” (2000) a catapultou para a fama, retratando sua juventude no Irã sob o regime dos aiatolás, a repressão vivida pelo povo iraniano e sua dolorosa partida para a Europa. Com pinceladas simples em preto e branco, a artista capturou a complexidade da sociedade iraniana e a convulsão política e íntima causada pela ascensão de Khomeini ao poder em 1979.

A adaptação cinematográfica de “Persépolis” em 2007, codirigida com Vincent Paronnaud, foi um sucesso crítico, conquistando o Prêmio do Júri no Festival de Cannes e uma indicação ao Oscar de Melhor Filme de Animação. “Embora este filme seja universal, quero dedicá-lo a todos os iranianos”, declarou Satrapi em Cannes, ressaltando a essência de sua obra.

Marjane Satrapi foi uma voz incansável contra as autoridades de Teerã. Em 2023, ela coordenou o livro “Femme, vie, liberté” (“Mulher, Vida, Liberdade”), que ilustrou os levantes no Irã após a morte de Mahsa Amini em 2022. Em 2024, foi agraciada com o Prêmio Princesa das Astúrias de Comunicação e Humanidades, na Espanha, por ser “uma voz essencial na defesa dos direitos humanos e da liberdade”. Um ano depois, em um gesto de protesto, recusou a Legião de Honra francesa para denunciar a “atitude hipócrita”.

Líderes e figuras do mundo da cultura prestaram homenagens à artista. O presidente francês, Emmanuel Macron, expressou suas “mais profundas condolências” e enalteceu “uma imensa artista que transformou a infância iraniana em uma fábula universal”. Thierry Frémaux, delegado-geral do Festival de Cannes, lamentou a perda: “Marjane era uma artista extraordinária e uma mulher amada que personificava a alegria da criação e a tristeza do exílio e das memórias dolorosas.”

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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