Líder de Maior Ataque Hacker no Brasil Obtém Liberdade Provisória na Espanha
Atraso de 14 dias do Ministério da Justiça brasileiro no envio de documentos de extradição resultou na soltura de Ítalo Jordi e seis cúmplices.
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Ítalo Jordi dos Santos Pireneus, conhecido como “Breu”, e outros seis integrantes de seu grupo estão em liberdade provisória na Espanha. As autoridades apontam Pireneus como o chefe da quadrilha responsável pelo maior ataque hacker já registrado contra o sistema financeiro do Brasil. A acusação estima o valor desviado em aproximadamente R$ 813 milhões. A informação, inicialmente divulgada pelo repórter Caio Crisóstomo do site O Bastidor, foi confirmada pela Jovem Pan.
A soltura dos acusados ocorreu em 16 de janeiro de 2026. Um atraso do Ministério da Justiça brasileiro no envio da documentação de extradição motivou a decisão judicial. O Brasil descumpriu um prazo estabelecido por tratado internacional.
Atraso Burocrático e Prazo Legal
O acordo bilateral de extradição entre Brasil e Espanha, em vigor desde 1988, estabelece um limite de 80 dias para a formalização do pedido após a prisão. Os mandados de prisão, expedidos pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, datam de 17 de outubro de 2025. Consequentemente, o prazo final para a entrega dos documentos expirava em 5 de janeiro de 2026.
Contudo, os documentos do governo brasileiro chegaram à Justiça espanhola somente em 19 de janeiro de 2026, com 14 dias de atraso. Esta falha processual forçou a soltura provisória dos sete indivíduos.
Detalhes da Operação e Falhas Judiciais
O grupo foi detido em 30 de outubro de 2025, em Madri, durante a segunda fase da Operação Magnas Fraus, conduzida pela Polícia Federal. Eles são acusados de converter R$ 600 milhões do valor roubado em criptomoedas. A tramitação do caso também enfrentou complicações devido a uma falha judicial em São Paulo, que chegou a cancelar os mandados no Brasil e removeu os nomes dos suspeitos da difusão vermelha da Interpol. Casos de crimes financeiros e operações policiais frequentemente enfrentam complexidades legais em diferentes jurisdições.
A Polícia Federal e o Ministério Público buscam acelerar os trâmites de extradição. A medida visa mitigar o risco de fuga dos acusados, que ainda detêm um alto valor financeiro.
A defesa de Ítalo Jordi declarou que seu cliente permanece na Espanha, à disposição da Justiça brasileira. Pressões por delações premiadas robustas são comuns em grandes investigações como esta, buscando desvendar redes criminosas.
Posicionamento Oficial
Em nota, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) declarou não comentar casos de extradição, citando o sigilo inerente a esses procedimentos.
“O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Secretaria Nacional de Justiça (Senajus), informa que não comenta casos específicos de extradição, tenham eles sido recebidos ou não, em razão do sigilo que envolve esse tipo de procedimento”, explicou a pasta. “O MJSP cumpre rigorosamente todos os trâmites legais, administrativos e diplomáticos previstos para a análise de pedidos de extradição, em conformidade com a legislação brasileira e com os acordos internacionais em vigor”, completou o comunicado.
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André Vilela
Formado em Comunicação Social, atua no jornalismo digital com foco na agilidade e precisão da informação. Cobre o cotidiano das cidades sul-mato-grossenses, trazendo os fatos assim que eles acontecem. Apaixonado por tecnologia e novas mídias.
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