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INTERNACIONAL

OMS Declara Emergência Global de Saúde por Ebola na RDC Após Caso em Goma

Surto do vírus Bundibugyo, sem vacina ou tratamento, e a confirmação em cidade estratégica sob controle de milícia aumentam temor de propagação regional.

17/05/2026 às 13:46
3 min de leitura
ebola

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou, neste domingo (17), uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII) devido ao crescente surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC). A decisão, tomada após mais de 80 mortes e a confirmação de um caso na estratégica cidade de Goma, eleva o nível de alerta global para a crise sanitária que assola o leste do país africano.

O temor de uma propagação mais intensa aumentou significativamente com a confirmação do primeiro caso em Goma, uma metrópole de cerca de dois milhões de habitantes, que se encontra sob o controle de uma milícia apoiada por Ruanda. “Um caso positivo em Goma foi confirmado por exames realizados em laboratório. Trata-se da esposa de um homem que morreu vítima do vírus do ebola em Bunia e que viajou para Goma após a morte do marido já estando infectada”, declarou à AFP Jean-Jacques Muyembe, diretor do Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica (INRB) congolês.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, manifestou profunda preocupação com a situação. “Determinei que a epidemia constitui uma emergência de saúde pública de importância internacional”, publicou Ghebreyesus na rede social X, reiterando, contudo, que, no momento, o surto “não cumpre os critérios de emergência pandêmica”. A declaração de ESPII é o segundo nível mais elevado de alerta da organização, sendo a pandemia o máximo.

Até o momento, a RDC registrou 88 mortes e 336 casos suspeitos da febre hemorrágica altamente contagiosa, conforme comunicado dos Centros Africanos para o Controle e a Prevenção de Doenças (CDC África) divulgado no sábado. O ministro da Saúde da RDC, Samuel-Roger Kamba, alertou que a cepa identificada neste surto, a Bundibugyo, não possui vacina nem tratamento específico, com uma taxa de mortalidade que pode chegar a 50%.

Este é o 17º surto de ebola na RDC, um país que já vivenciou quase 15 mil mortes pela doença nos últimos 50 anos, apesar dos avanços em tratamentos e vacinas para outras cepas. A OMS expressa preocupação com a incerteza sobre o número real de pessoas infectadas e a propagação geográfica, especialmente porque o surto se concentra em áreas de difícil acesso, limitando a análise laboratorial de amostras. A ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) já prepara uma “resposta em larga escala” diante do risco significativo de propagação local e regional, inclusive para países vizinhos.

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André Vilela

Formado em Comunicação Social, atua no jornalismo digital com foco na agilidade e precisão da informação. Cobre o cotidiano das cidades sul-mato-grossenses, trazendo os fatos assim que eles acontecem. Apaixonado por tecnologia e novas mídias.

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