OMS Alerta para Aceleração da Epidemia de Ebola na RDC; 131 Mortes e 513 Casos Suspeitos
Organização Mundial da Saúde declara emergência internacional em 2026, enquanto ministro congolês detalha desafios de contenção e propagação da cepa Bundibugyo.
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A Organização Mundial da Saúde (OMS) expressou profunda preocupação nesta terça-feira, 19 de maio de 2026, com a “escala e a velocidade” da epidemia de ebola na República Democrática do Congo (RDC). A doença já causou 131 mortes e registra 513 casos suspeitos no país. A OMS declarou no domingo, 17 de maio, uma emergência de saúde pública de importância internacional para enfrentar o surto.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, enfatizou a gravidade da situação. A organização convocou uma reunião do comitê de emergências nesta terça-feira para avaliar as próximas ações. Em paralelo, a agência de saúde da União Africana (Africa CDC) também declarou uma “emergência de saúde pública” continental.
Balanço e Desafios de Contenção
O ministro da Saúde da RDC, Samuel Roger Kamba, detalhou o impacto da epidemia à televisão nacional. “Contabilizamos 131 casos de mortes e temos 513 casos suspeitos”, afirmou Kamba. Ele ressaltou a dificuldade na confirmação dos casos: “Todas as mortes que informamos são aquelas que detectamos na comunidade, sem dizer necessariamente que estejam vinculadas ao ebola”. O balanço anterior do ministro registrava 91 óbitos e 350 casos suspeitos.
A representante da OMS na RDC, Anne Ancia, alertou sobre a possível duração do surto. “Não acredito que esta epidemia vá terminar em dois meses”, declarou, lembrando uma epidemia anterior que se estendeu por dois anos. “A extensão da epidemia dependerá da rapidez da nossa resposta”, acrescentou, mencionando o envio de toneladas de material, incluindo testes e equipamentos de proteção individual, para a região.
A cepa responsável pelo atual surto, Bundibugyo, não possui vacina ou tratamento específico. A OMS anunciou nesta terça-feira que avalia a utilização de vacinas candidatas ou tratamentos contra essa variante. As autoridades trabalham para detectar rapidamente os casos, limitar contatos e iniciaram uma campanha para incentivar a população a cumprir as medidas de contenção. O presidente congolês, Felix Tshisekedi, pediu “calma” à população e garantiu que “todas as medidas necessárias para reforçar a resposta” serão adotadas.
Propagação e Contexto
O epicentro da epidemia localiza-se em Ituri, uma província no nordeste da RDC, na fronteira com Uganda e o Sudão do Sul. A região, rica em ouro, registra intenso deslocamento populacional devido à atividade de mineração, o que agrava a propagação da doença. O vírus já se espalhou além de Ituri e das fronteiras da RDC. Kamba explicou que a percepção de que o ebola era uma “doença mística” levou muitos enfermos a não serem hospitalizados, contribuindo para o aumento dos contágios.
Casos suspeitos foram notificados em Butembo, na província de Kivu do Norte, a quase 200 km do foco principal. Um caso também foi registrado em Goma, capital de Kivu do Norte, sob controle do grupo armado antigovernamental M23. O governador militar da província afirmou que a população de Kivu do Norte está “extremamente exposta ao risco da doença mortal devido ao tráfego intenso entr”.
O ebola provoca uma febre hemorrágica altamente contagiosa. A doença causou mais de 15.000 mortes na África nos últimos 50 anos. A comunidade internacional monitora de perto a situação na RDC e as possíveis repercussões globais. Os Estados Unidos, por exemplo, já reforçaram os controles contra o ebola após a emergência na RDC e um caso de cidadão infectado.
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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