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INTERNACIONAL

Aeronaves militares dos EUA realizam simulacro em Caracas, cinco meses após captura de Maduro

Pouso de Ospreys na embaixada americana marca nova era de cooperação e tensão, com moradores observando emocionados e chavistas protestando.

24/05/2026 às 15:16
3 min de leitura
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Duas aeronaves militares Bell Boeing MV-22B Osprey da Embaixada dos Estados Unidos realizaram um simulacro de evacuação em Caracas neste sábado (23), marcando uma inédita demonstração de força e cooperação militar cinco meses após a captura do ex-mandatário Nicolás Maduro por forças de Washington.

Dezenas de moradores registraram com seus celulares o sobrevoo e o pouso das aeronaves, que levantaram poeira e folhas ao aterrissar no estacionamento da sede diplomática. A cena, observada com emoção e curiosidade, contrasta fortemente com o pânico vivido em 3 de janeiro, quando bombardeios americanos resultaram na morte de quase 100 pessoas, incluindo 32 agentes cubanos, durante a operação que depôs Maduro.

Para Augusto Pérez, engenheiro de 70 anos, o pouso foi “algo inédito”. “Quero ver como eles pousam”, comentou de um mirante onde residentes e jornalistas se aglomeravam. Franco Di Prada, morador da região há 56 anos, confessou sentir “curiosidade, dúvidas”, ressaltando a singularidade do evento.

A Embaixada dos EUA confirmou em suas redes sociais tratar-se de “um exercício de resposta militar”, enfatizando que “garantir a capacidade de resposta rápida do exército é um componente essencial da preparação da missão”. O governo venezuelano, sob a presidência interina de Delcy Rodríguez, havia autorizado o sobrevoo na capital na quinta-feira (21).

A autorização, contudo, gerou críticas entre as bases mais radicais do chavismo. Um pequeno grupo protestou em outra parte da cidade, exibindo uma bandeira com a frase “Não à simulação ianque”. Fita González, intérprete de 28 anos, embora rejeitando a “interferência militar”, justificou a aprovação: “Infelizmente, nosso governo está sob ameaça; não podemos esquecer que eles sequestraram nosso presidente”.

Este exercício simboliza o reestabelecimento das relações diplomáticas entre Caracas e Washington em março, após mais de sete anos de ruptura durante o governo de Maduro. A presidente Rodríguez, sob forte pressão americana, tem promovido reformas em leis de hidrocarbonetos e mineração para atrair investimento estrangeiro, um contraste marcante com a era Chávez (1999-2013), quando a presença militar americana na Venezuela era uma raridade e a cooperação foi encerrada.

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Mariana Costa

Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.

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