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INTERNACIONAL

EUA e Irã Negociam Acordo de Paz no Oriente Médio; Questão Nuclear Trava Fechamento Imediato

Secretário de Estado Marco Rubio expressou otimismo ontem (24) sobre a conclusão de um pacto para encerrar o conflito, mas Teerã insiste em adiar discussões sobre seu programa atômico, ponto de atrito crucial.

25/05/2026 às 14:46
3 min de leitura
Fumaça sobe após um ataque israelense à vila de Zawtar al-Charkiyeh, no sul do Líbano, neste domingo (24)

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Os Estados Unidos e o Irã estiveram à beira de selar um acordo histórico ontem (24) para pôr fim ao conflito no Oriente Médio, mas a divergência em torno do programa nuclear iraniano persiste como um obstáculo crucial para a finalização imediata do pacto. A expectativa de um anúncio iminente foi alimentada por declarações otimistas de Washington, enquanto Teerã mantém uma postura cautelosa e desafiadora em relação à sua capacidade atômica.

Em visita à Índia, o Secretário de Estado americano, Marco Rubio, expressou confiança de que o mundo poderia receber “boas notícias” nas próximas horas, ecoando o Presidente Donald Trump, que em suas redes sociais afirmou que o acordo “foi amplamente negociado”. Contudo, o governo iraniano, embora confirme as tratativas, insiste que o pacto inicial não incluirá limitações imediatas ao seu programa nuclear, propondo que essas discussões sejam adiadas por 60 dias após a assinatura da paz.

As negociações ocorrem em meio a um cessar-fogo que vigora desde 8 de abril, período em que mediadores internacionais têm trabalhado para resolver o impasse. As principais questões em pauta incluem o fim do bloqueio dos portos iranianos pelos EUA e a restrição à navegação no Golfo Pérsico pelo Irã, pontos que têm impactado a economia global e a segurança regional.

A questão nuclear permanece o maior ponto de fricção. Rubio afirmou que o entendimento visa garantir “um mundo que não precise mais temer uma arma nuclear iraniana”. Fontes do governo israelense indicam que o Presidente Trump garantiu ao Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu que não assinará um texto final sem a remoção de todo o urânio enriquecido do território iraniano. Em contrapartida, o Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, reiterou que o país não busca armas nucleares, mas evitou confirmar se tal promessa constará formalmente no documento final.

Um dos pilares do potencial acordo é a reabertura do Estreito de Ormuz, via marítima crucial por onde escoa um quinto das exportações mundiais de petróleo. O fim do bloqueio iraniano é aguardado com entusiasmo por líderes europeus. A Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o Primeiro-Ministro britânico, Keir Starmer, celebraram o progresso das negociações, prometendo cooperação para estabilizar os preços de energia.

A complexidade do cenário se reflete nas consultas de Trump, que anteontem (23) discutiu os termos com líderes da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Egito, Jordânia, Bahrein, Turquia e Paquistão, este último tendo mediado conversas presenciais em abril. Apesar do otimismo oficial, o cenário é de cautela. O acadêmico Vali Nasr alertou que termos “generosos demais” poderiam gerar desconfiança em Teerã. Adicionalmente, o chefe do comando militar central iraniano, Ali Abdollahi, manteve um tom desafiador na Grande Mesquita de Mosalla, declarando que o país está “em pé de guerra e nossas forças armadas estão totalmente preparadas para enfrentar qualquer inimigo”, sublinhando a persistência de tensões militares.

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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