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INTERNACIONAL

Conselho da Paz de Trump: Saldo Zero, Problemas Legais e Ambição Frustrada

Lançada em 2025 para reconstruir Gaza, a iniciativa com promessas bilionárias falha em arrecadar fundos e enfrenta críticas por falta de transparência e por tentar substituir a ONU, revela Financial Times.

28/05/2026 às 21:16
3 min de leitura
O presidente dos EUA, Donald Trump (C), ladeado pelo vice-presidente dos EUA, JD Vance (E) e pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio (D), junta-se a líderes para uma foto de grupo durante a reunião inaugural do "Conselho da Paz" no Instituto da Paz dos EUA em Washington, DC, em 19 de fevereiro de 2026. O presidente Trump reuniu aliados na quinta-feira para inaugurar o "Conselho da Paz", sua nova instituição focada no progresso em Gaza, mas cujas ambições vão muito além. Cerca de duas dúzias de líderes mundiais ou outros altos funcionários vieram a Washington para a reunião - incluindo vários amigos de Trump com tendências autoritárias e praticamente nenhum dos democratas europeus que tradicionalmente apoiam iniciativas dos EUA.

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O ambicioso “Conselho da Paz”, idealizado por Donald Trump para liderar a reconstrução de Gaza e mediar conflitos globais, encontra-se hoje, em maio de 2026, em profunda crise. A iniciativa opera com saldo bancário zero e está mergulhada em uma série de problemas legais, apesar das promessas de financiamento bilionário. Trump, que se propôs a dirigir pessoalmente o Conselho mesmo após deixar a Casa Branca, não viu um único dólar em suas contas principais, conforme revelado por uma investigação do jornal Financial Times (FT), que citou quatro fontes próximas ao processo.

Criado do zero em janeiro de 2025, o Conselho surgiu com a proposta de ser um mecanismo discricionário para a reconstrução de Gaza, após o cessar-fogo entre Israel e Hamas em outubro de 2024. Contudo, em vez de utilizar o fundo administrado pelo Banco Mundial e aprovado pela ONU, a organização optou por receber doações diretamente em uma conta do banco JPMorgan. Tal escolha, segundo o FT, carece de “mecanismo independente de transparência”, gerando sérias preocupações sobre sua governança.

A falta de fundos é gritante: embora os Emirados Árabes Unidos tenham destinado US$ 100 milhões (equivalente a R$ 563 milhões) para formar uma nova força policial em Gaza, esses recursos permanecem congelados. A expectativa de que países pagassem US$ 1 bilhão (R$ 5,63 bilhões) por um assento permanente no Conselho, a ser administrado exclusivamente por Trump, esbarrou na recusa de nações como a Indonésia, cujo presidente, Prabowo Subianto, descartou o pagamento. O entusiasmo inicial de líderes sul-americanos como Javier Milei, da Argentina, e Santiago Peña, do Paraguai, também diminuiu diante da exigência financeira.

Pequenos desembolsos da conta do JPMorgan foram utilizados apenas para custear o escritório do “Alto Representante” do Conselho, Nikolai Mladenov. A prestação de contas financeiras da iniciativa, segundo uma fonte próxima, será feita ao próprio conselho diretor – composto por ex-integrantes do governo Trump e seus assessores – “quando for considerado oportuno”, levantando ainda mais questionamentos sobre a independência e fiscalização.

Em abril de 2025, as Nações Unidas e a União Europeia, em conjunto com o Banco Mundial, estimaram que as necessidades de reconstrução de Gaza para a próxima década totalizariam US$ 71,4 bilhões (R$ 402 bilhões). Nesse cenário de urgência humanitária e financeira, a falência do “Conselho da Paz” de Trump se torna ainda mais evidente.

O mais preocupante, porém, é a ambição revelada nos rascunhos do plano: a iniciativa, inicialmente anunciada pela Casa Branca como parte de um plano para a paz em Gaza, delineia um mandato muito mais amplo, com potencial para atuar como um organismo substituto da ONU. Tal pretensão foi prontamente rechaçada pelas Nações Unidas, que, em comunicado recente nesta semana, declararam que o “Conselho da Paz” “não é um plano da ONU”, distanciando-se completamente da controversa proposta.

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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