Paz Ameaçada: Irã Acusa EUA de Romper Cessar-Fogo com Bombardeios no Golfo
Ataques aéreos de Washington a alvos iranianos na terça-feira, 26 de maio, reacendem o conflito, comprometendo os frágeis esforços diplomáticos e elevando a tensão na região, que já lida com a ofensiva israelense no Líbano.
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O Irã acusou os Estados Unidos de uma “grave violação” do frágil cessar-fogo na terça-feira, 26 de maio de 2026, após uma série de bombardeios noturnos de Washington atingirem locais de lançamento de mísseis e embarcações iranianas. Os ataques, que Teerã promete não deixar sem resposta, ameaçam desmantelar os esforços diplomáticos para pôr fim à guerra que assola a região do Golfo Pérsico.
De acordo com o Comando Central dos EUA (Centcom), os alvos dos bombardeios incluíram locais de mísseis iranianos e embarcações que supostamente tentavam instalar minas no Estreito de Ormuz. Em resposta, a mídia estatal iraniana relatou explosões em Bandar Abbas, uma cidade costeira próxima ao estreito, enquanto a Guarda Revolucionária afirmou ter derrubado um drone americano que invadiu seu espaço aéreo e disparado contra um caça F-35.
O cessar-fogo, acordado em 8 de abril entre Washington e Teerã, foi precedido por semanas de impasse e ameaças mútuas, mas ambos os lados haviam sinalizado progresso nas negociações nos últimos dias. Contudo, as esperanças de uma paz duradoura foram frustradas não apenas pela ofensiva americana, mas também pelo anúncio de Israel de que intensificaria sua campanha militar no Líbano.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã declarou que o “exército terrorista dos EUA” cometeu uma “grave violação do cessar-fogo na província de Hormozgan nas últimas 48 horas”, prometendo que o Irã “não deixará nenhum ato hostil sem resposta e não hesitará em se defender”. Em um comunicado transmitido pela televisão estatal, o líder supremo Mojtaba Khamenei, que assumiu o cargo em março após o assassinato de seu pai, avaliou que Washington está perdendo influência e se afastando de seu “antigo status” no Golfo Pérsico, afirmando que os Estados Unidos “não têm mais um lugar seguro na região para lançar suas agressões”.
Khamenei acrescentou que os países do Golfo, que têm sido alvo de ataques iranianos quase diários em retaliação à ofensiva israelense-americana iniciada em 28 de fevereiro, “não servirão mais de escudo para as bases americanas”. Paralelamente aos ataques, a agência marítima britânica UKMT reportou uma “explosão externa” que danificou um petroleiro na costa de Omã, embora a tripulação e a embarcação estejam em segurança.
Em um desenvolvimento separado, mas crucial para a população, a conexão com a internet no Irã foi “parcialmente” restaurada na terça-feira, de acordo com a organização Netblocks. O acesso estava completamente cortado desde o início da guerra, e a organização ressaltou que “não está claro” se a conexão será mantida após o que foi o “mais longo” apagão nacional da história. O vice-presidente iraniano, Mohammad Reza Aref, confirmou que o governo tomou as primeiras medidas para restabelecer o acesso.
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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