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POLÍTICA

Rio de Janeiro Avança para Desapropriar Refit em Meio a Dívida Bilionária e Escândalo Político

Refinaria é a maior devedora do país, com R$ 55 bilhões em débitos, e seu dono está foragido; ex-governador e senador são investigados.

29/05/2026 às 10:47
3 min de leitura
Refit, primeira refinaria privada do Rio de Janeiro

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O governador em exercício do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, confirmou nesta quinta-feira, 29 de maio de 2026, a intenção de desapropriar o terreno da Refit, uma das maiores refinarias do país e a principal devedora de impostos do estado. A medida visa abater parte da dívida bilionária da empresa com os cofres fluminenses e federais. A informação, antecipada pelo colunista Lauro Jardim, do O Globo, e confirmada pelo Estadão, vem à tona enquanto a Refit acumula débitos que somam R$ 9,4 bilhões apenas com o Rio de Janeiro e impressionantes R$ 55 bilhões em dívidas totais com Estados, municípios e a União, tornando-a a maior devedora do país.

A iniciativa do governo fluminense ocorre em meio a um complexo cenário jurídico e investigativo envolvendo a Refit e seu proprietário, Ricardo Magro. Magro é alvo de um mandado de prisão e encontra-se foragido da Justiça no âmbito da Operação Sem Refino, da Polícia Federal, que o investiga por um esquema bilionário de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. As investigações apontam que Magro teria utilizado uma rede de empresas e fundos de investimentos para mascarar operações financeiras ilícitas.

A operação, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sublinha a gravidade das acusações. Magro não foi localizado pela PF na ocasião da deflagração da Operação Sem Refino. Procurado pelo Estadão, o governo do Rio de Janeiro não detalhou os mecanismos legais ou o cronograma para a desapropriação, nem apresentou estimativas do valor do terreno da refinaria. A Refit, por sua vez, não se manifestou sobre as acusações ou a intenção de confisco.

A teia de investigações da Operação Sem Refino se estende a figuras políticas de peso no estado. O ex-governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro (PL), foi alvo de buscas e apreensões, com a Polícia Federal afirmando que ele teria tentado beneficiar a refinaria ao articular um refinanciamento de dívidas que poderia reduzir em até 95% os débitos com o Estado. Castro nega veementemente as acusações, declarando-se “convicto de sua lisura” e à disposição da Justiça. A Refit também negou ter sido beneficiária de qualquer programa ilícito.

O senador Ciro Nogueira (Progressistas), ex-ministro da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro (PL), também teve seu nome citado na investigação. A PF aponta que um fundo de investimentos ligado à Refit teria efetuado um pagamento de R$ 14,5 milhões a uma empresa da família do parlamentar. Nogueira defende-se, afirmando que o valor corresponde à venda “regular e totalmente declarada” de um terreno. Jonathas Assunção Salvador Nery de Castro, ex-secretário da pasta durante a gestão de Nogueira, também teria recebido R$ 1,3 milhão de uma empresa associada à Refit, segundo os investigadores.

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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