Sábado, 30 de Maio de 2026
Menu
INTERNACIONAL

Hungria Inicia Nova Era: Polícia Autoriza Marcha do Orgulho de Budapeste

A decisão, anunciada nesta sexta-feira (29), reverte a proibição de 2025 imposta pelo governo de Viktor Orbán e ocorre sob a nova administração de Péter Magyar, eleito em abril.

30/05/2026 às 05:16
3 min de leitura
O primeiro-ministro húngaro, Peter Magyar, discursa em conferência de imprensa com a chanceler austríaca em Viena, Áustria, em 21 de maio de 2026. (Foto de Joe Klamar / AFP)

Anuncie Aqui

A polícia húngara anunciou nesta sexta-feira (29) que não proibirá a Marcha do Orgulho de Budapeste em junho de 2026. A autorização para o evento, agendado para 27 de junho, marca uma significativa guinada em relação ao ano passado, quando a manifestação foi vetada pelo governo do então primeiro-ministro nacionalista Viktor Orbán.

A mudança reflete o novo panorama político da Hungria, após a derrota eleitoral de Orbán em abril deste ano. O ex-primeiro-ministro, que liderou o país por 16 anos e era conhecido globalmente por sua postura antiliberal e oposição ferrenha à imigração e aos direitos LGBTQIA+, foi superado nas urnas pelo conservador pró-europeu Péter Magyar. Magyar prometeu uma “nova era” para a Hungria e um governo “para todos”.

Os organizadores do Orgulho de Budapeste haviam apresentado a notificação formal para a marcha na última quarta-feira (27), dando à polícia um prazo legal de 48 horas para se manifestar. Em comunicado enviado à AFP, a corporação afirmou que “durante o processo de notificação do desfile do Orgulho de 2026 e a consulta presencial com os organizadores, não surgiram motivos para proibir o evento”. A polícia também informou ter tomado “decisões prescritivas e restritivas” em relação a três contramanifestações planejadas.

Apesar da liberação, o novo primeiro-ministro, Péter Magyar, ainda não expressou apoio específico à marcha do Orgulho ou à comunidade LGBTQIA+. As leis restritivas aprovadas por Orbán, que impactam os direitos do grupo, também não foram revogadas até o momento, indicando uma abordagem cautelosa do novo governo.

No ano passado, a Marcha do Orgulho de Budapeste, mesmo sob proibição oficial, reuniu um número recorde de mais de 200 mil pessoas, segundo os organizadores. A participação massiva foi amplamente interpretada como um repúdio à repressão dos direitos LGBTQIA+ promovida por Orbán, frequentemente justificada sob o pretexto da “proteção da infância”.

Um fator crucial para a decisão atual pode ter sido a recente declaração do Tribunal de Justiça da União Europeia. No mês passado, a Corte sentenciou que a legislação húngara de 2021 — modificada em 2025 para servir de base à proibição do Orgulho — violava as normas do bloco, enfraquecendo significativamente qualquer base legal para um novo veto.

Comentários

Anuncie Aqui

Alcance milhares de leitores

Imagem do avatar

Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

Ver mais matérias