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El Niño: OMM Alerta para Riscos Climáticos Extremos com 80% de Probabilidade em 2026

Organização Meteorológica Mundial prevê um evento de intensidade moderada a forte, com 90% de chance de persistir até novembro, intensificando fenômenos extremos globalmente.

02/06/2026 às 23:46
3 min de leitura
Santa Catarina decreta alerta climático por causa do El Niño

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A Organização Meteorológica Mundial (OMM) emitiu ontem, terça-feira (2), um alerta contundente: há 80% de probabilidade de um episódio de El Niño se instalar entre junho e agosto de 2026. A previsão eleva significativamente o risco de fenômenos meteorológicos extremos em escala global nos próximos meses, demandando atenção urgente de governos e populações.

Em sua atualização mais recente, a OMM projeta um evento de intensidade “ao menos moderada, e até forte”, cujas consequências podem ser sentidas em todo o planeta. Além da alta probabilidade de sua instauração nos próximos três meses, a organização estima que as chances de o El Niño persistir pelo menos até novembro superam os 90%, indicando um período prolongado de instabilidade climática.

O El Niño, e sua contraparte La Niña, são variações naturais do clima caracterizadas por mudanças acentuadas na temperatura das águas do Oceano Pacífico equatorial. Esse fenômeno altera a circulação atmosférica global, desencadeando eventos extremos em diversas regiões. A OMM ressalta que, entre o final de abril e meados de maio, a temperatura da superfície do mar no Pacífico centro-leste já se aproximava dos limiares do El Niño, impulsionada por temperaturas subsuperficiais “excepcionalmente elevadas”, superando as médias sazonais em mais de 6ºC.

“Temos que nos preparar para um episódio de El Niño potencialmente forte, que vai agravar as secas, aumentar as chuvas intensas e agravar o risco de ondas de calor tanto em terra como nos oceanos”, alertou Celeste Saulo, secretária-geral da OMM. Para o trimestre de junho a agosto, a organização prevê um cenário de “temperaturas acima do normal em quase todas as regiões do planeta”, com a iminência de estresse térmico, secas prolongadas e eventos extremos como inundações severas.

Regionalmente, as projeções são preocupantes. O Chifre da África deve enfrentar precipitações “abaixo do normal” de junho a setembro, enquanto o sul da Ásia pode ter uma monção menos abundante. A América Central, por sua vez, tende a registrar condições mais quentes e secas. No hemisfério norte, as águas mais quentes do El Niño favorecem a formação de furacões no Pacífico central e leste, mas podem inibir seu desenvolvimento no Atlântico.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, reforçou a gravidade da situação em um vídeo: “O mundo deve tratar este evento pelo que é: um alerta climático urgente”. Ele advertiu que o El Niño “vai jogar mais lenha na fogueira de um planeta em aquecimento”, com consequências que serão sentidas “com uma intensidade ainda maior e seu alcance será ainda mais amplo, cruzando fronteiras a uma velocidade devastadora”. Guterres reiterou seu apelo pelo “fim da dependência dos combustíveis fósseis”.

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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