Eleições 2026: Abelardo de la Espriella e Iván Cepeda Encerram Campanhas em Cenário de Polarização e Violência
A uma semana do segundo turno de 21 de junho, candidatos apresentam visões antagônicas para a segurança e a paz na Colômbia.
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Os candidatos à presidência da Colômbia, Abelardo de la Espriella e Iván Cepeda, encerraram suas campanhas no último domingo, 14 de junho de 2026. Ambos realizaram eventos multitudinários, uma semana antes do segundo turno eleitoral, marcado para 21 de junho. O pleito ocorre em um cenário de intensa polarização política e uma grave crise de violência no país.
Visões Opostas para a Colômbia
O advogado de extrema direita Abelardo de la Espriella reuniu milhares de apoiadores em Buga, na região sudoeste. Seu comício, realizado em um gigantesco palco, contou com a proteção de uma cabine de vidros blindados. De la Espriella, que se autodenomina um “outsider” e é admirador do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, enfatizou a natureza do confronto eleitoral.
“Esta não é apenas uma batalha política, é uma batalha moral, é uma guerra espiritual”, declarou o candidato em seu discurso. Milhares de pessoas acompanharam o evento com bandeiras da Colômbia e camisas da seleção nacional de futebol. O militar da reserva Jimmy Henao, que viajou de uma localidade próxima no Valle del Cauca — departamento afetado pela violência de grupos armados ligados ao narcotráfico —, expressou suas expectativas. “O que precisamos é de segurança para trabalhar e para seguir em frente”, disse Henao à AFP, acrescentando que espera que “o país mude com o Tigre”.
Na cidade caribenha de Barranquilla, o senador de esquerda Iván Cepeda, herdeiro político do presidente Gustavo Petro, também encerrou sua campanha. O evento, igualmente multitudinário, ocorreu em uma área periférica da cidade. Cepeda abordou a atmosfera de tensão que permeia a disputa eleitoral.
“O medo e o ódio pretendem se impor sobre a esperança”, afirmou o senador em seu discurso. “Devemos olhar para o presente com esperança. Não devemos nos deixar confundir nem intimidar”, acrescentou.
Crise de Violência e Propostas Divergentes
A Colômbia enfrenta sua pior onda de violência na última década, marcada por frequentes atentados de guerrilhas, massacres e extorsões. Durante a campanha, o pré-candidato à presidência Miguel Uribe foi assassinado, evidenciando a escalada da insegurança. A discussão sobre a segurança pública domina o debate.
Desde o início de seu governo, o presidente Gustavo Petro implementou a política de “paz total”, buscando diálogos com as principais organizações armadas do país. Iván Cepeda foi um dos arquitetos dessa estratégia. Analistas, contudo, observam que nenhum desses processos avançou significativamente, e os grupos criminosos se fortaleceram em diversas regiões.
Abelardo de la Espriella propõe uma abordagem distinta para combater a criminalidade. Ele defende a substituição dos diálogos por uma política de mão dura, prometendo submeter os criminosos “pela razão ou pela força da lei”. “Serei firme contra os criminosos, serei contundente contra os corruptos, serei inflexível diante do terrorismo”, declarou em Buga. A postura do candidato reflete debates institucionais sobre justiça e aplicação da lei.
A polarização entre as propostas de diálogo e de confronto para a segurança nacional define o tom deste segundo turno, que promete ser decisivo para o futuro da Colômbia. O fortalecimento do diálogo e da gestão, ou a imposição da força, são as escolhas que os eleitores colombianos terão de fazer.
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André Vilela
Formado em Comunicação Social, atua no jornalismo digital com foco na agilidade e precisão da informação. Cobre o cotidiano das cidades sul-mato-grossenses, trazendo os fatos assim que eles acontecem. Apaixonado por tecnologia e novas mídias.
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