Lula Gera Repúdio ao Criticar Delegacias e Associar Pobres à Receptação
Declarações do presidente sobre segurança pública em 10 de junho de 2026 provocam forte reação da Frente Parlamentar da Segurança e da Adepol.
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) causou controvérsia em 10 de junho de 2026 ao fazer declarações sobre segurança pública. Ele sugeriu ser mais seguro devolver celulares roubados nos Correios do que em delegacias e associou a compra de produtos roubados à população de baixa renda. A Frente Parlamentar da Segurança Pública e a Associação dos Delegados de Polícia do Brasil (Adepol) emitiram notas de repúdio.
Críticas às Delegacias e o Programa Telefone Seguro
Lula justificou a escolha dos Correios para receber aparelhos devolvidos pelo programa Telefone Seguro. A iniciativa do governo prevê o envio de mensagens a celulares roubados com informações para a devolução. O presidente expressou preocupação com a experiência nas delegacias.
“Na delegacia, as pessoas têm até medo, porque não sabem o tipo de delegado que vão encontrar ou o tipo de policial”, disse Lula.
A Frente Parlamentar da Segurança Pública, presidida pelo deputado Alberto Fraga (PL-DF), classificou as declarações como ataques injustificados. A entidade afirmou que as falas atingem a honra e a credibilidade de milhares de policiais civis. A nota da Frente Parlamentar destaca: “generalizações dessa natureza enfraquecem a confiança da população nas instituições responsáveis pela segurança pública”.
A Adepol também se manifestou. A associação ressaltou que a apreensão e custódia de celulares em delegacias seguem procedimentos legais, fiscalizados pelo Judiciário e pelo Ministério Público. A entidade considerou as declarações de Lula “inadequada, injusta e descontextualizada” e que comprometem a confiança nas instituições policiais.
Associação de Baixa Renda à Receptação
No mesmo dia 10 de junho de 2026, o presidente Lula comentou sobre os compradores de celulares roubados. “Quem é que não gosta de comprar uma coisinha barata? Todo mundo gosta”, afirmou o presidente, associando implicitamente a população de baixa renda ao crime de receptação.
A Frente Parlamentar criticou esta afirmação. Eles classificaram a fala como uma associação genérica e preconceituosa entre a população de baixa renda e o crime de receptação. Este crime ocorre quando alguém adquire, oculta, transporta ou vende um produto que sabe ser de origem ilícita.
“Trata-se de uma generalização incompatível com o respeito à dignidade humana e com os princípios constitucionais da igualdade e da não discriminação”, afirma a nota da Frente Parlamentar. As declarações do presidente ocorrem em um momento de intensa discussão política sobre a avaliação do governo Lula e o cenário para as eleições de 2026.
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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