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POLÍTICA

Operação Compliance Zero: PF Detalha Fraudes do Banco Master e Envolvimento de Agentes Públicos

Investigação contra Daniel Vorcaro e Banco Master avança, revelando esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e suposta espionagem eletrônica.

19/06/2026 às 13:56
3 min de leitura
Jaques Wagner

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Fraudes Financeiras e Rede de Corrupção

A Polícia Federal (PF) aprofunda as investigações da Operação Compliance Zero, que apura fraudes financeiras no Banco Master e em empresas ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro. As apurações, iniciadas em 2025, expandiram-se do mercado financeiro para incluir suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, invasão de sistemas, vazamento de informações sigilosas e cooptação de agentes públicos.

A operação desdobrou-se em nove fases ao longo de 2025 e 2026. A rede de envolvidos alcança familiares de Vorcaro, executivos do setor financeiro, policiais federais e importantes figuras da política nacional.

Primeira Fase: Suspeita no Master e Prisões

A primeira fase da operação foi deflagrada em novembro de 2025, um dia após o anúncio da intenção de compra do Banco Master pela Fictor Holding. Investigadores analisaram a emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) que ofereciam rentabilidades muito superiores às do mercado. O foco recaiu sobre as operações financeiras do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro.

A PF suspeitava que parte desses títulos não possuía garantias compatíveis com os valores captados junto aos investidores. Este modelo, segundo a Polícia Federal, poderia ter criado uma exposição bilionária para clientes e instituições parceiras. A fase inicial resultou na prisão de Vorcaro e de outros seis investigados, incluindo Augusto Ferreira Lima, dono do Banco Pleno. As autoridades também afastaram Paulo Henrique Costa, presidente do BRB, e Dario Oswaldo Garcia, diretor financeiro. Naquele momento, o prejuízo potencial das operações sob investigação foi estimado em R$ 12 bilhões.

Segunda Fase: Bloqueio Bilionário e Lavagem de Dinheiro

A investigação avançou para a identificação do destino dos recursos movimentados pelo grupo. Em janeiro de 2026, a segunda fase da operação focou em mapear patrimônios, empresas e fundos de investimento. A PF acreditava que esses ativos poderiam ter sido usados para ocultar valores de origem suspeita, configurando lavagem de dinheiro.

Foram expedidos 42 mandados de busca e apreensão, incluindo ações contra familiares de Daniel Vorcaro, como seu pai, irmã e cunhado. O pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, foi detido ao tentar embarcar para os Emirados Árabes, mas liberado. Empresários e investidores ligados ao grupo econômico, como Nelson Tanure e João Carlos Mansur, também foram alvo. A Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 5,7 bilhões em bens e ativos financeiros. Durante as buscas, agentes apreenderam relógios de luxo, veículos de alto padrão, documentos e dinheiro em espécie.

Terceira Fase: Suposta Espionagem Eletrônica

A terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em março de 2026, marcou uma mudança nas apurações. Além dos crimes financeiros, a Polícia Federal passou a investigar um grupo dedicado à obtenção ilegal de informações, monitoramento de pessoas e intimidação. A complexidade do esquema, que inicialmente focava em fraudes bancárias, agora abrange uma rede mais ampla de atividades criminosas, incluindo o possível envolvimento de figuras políticas e ações de contrainteligência.

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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