PF Investiga Jaques Wagner por Atuação em Favor do Banco Master
Líder do governo no Senado é alvo de buscas na nona fase da Operação Compliance Zero; dólares foram apreendidos.
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A Polícia Federal (PF) investiga o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, por suposta atuação em favor de interesses do Banco Master. Agentes cumpriram mandados de busca em endereços ligados ao parlamentar nesta quinta-feira, 18 de junho de 2026.
A investigação aponta que Wagner utilizou seu mandato em ao menos três frentes para beneficiar o Banco Master. As medidas, segundo a PF, eram estratégicas para as fraudes supostamente comandadas por Daniel Vorcaro, então presidente da instituição financeira.
As Frentes de Atuação e Apreensões
A primeira frente envolveu propostas para ampliar o crédito consignado. A PF detalha a atuação de Wagner em iniciativas relacionadas ao aumento da cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O senador também acompanhou a tentativa de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB).
Durante as buscas, a PF apreendeu 49 mil dólares, equivalentes a R$ 252 mil, em um imóvel vinculado ao senador. A defesa de Jaques Wagner não se manifestou sobre a nona fase da Operação Compliance Zero até o momento.
Interlocução com Ex-Sócio e Impacto Legislativo
A investigação da PF revela que o senador manteve contato direto com Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro. As conversas focavam em propostas legislativas e iniciativas parlamentares que poderiam beneficiar o Banco Master.
Augusto Lima, já alvo da primeira fase da Compliance Zero em novembro de 2025, foi novamente alvo de medidas da Polícia Federal nesta quinta-feira, 18 de junho de 2026. Agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao empresário na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. A defesa de Lima classificou as buscas como “desnecessárias”.
Crédito Consignado e FGC em Foco
A PF identificou Wagner como um “interlocutor relevante” na ampliação do crédito consignado. O senador teria atuado para aumentar a margem de empréstimos descontados em folha para trabalhadores da iniciativa privada, aposentados e pensionistas do INSS.
As discussões também incluíram a autorização para que beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e de programas federais de transferência de renda acessassem empréstimos consignados. A articulação resultou na apresentação de uma emenda incorporada à legislação, que ampliou o acesso a essa modalidade de crédito. A pauta possuía ligação direta com os negócios de Augusto Lima, responsável por implementar o sistema Credcesta na Bahia, posteriormente incorporado ao Banco Master.
A segunda frente de atuação de Wagner envolveu discussões sobre mudanças nas regras do FGC. A ampliação da cobertura do fundo era de interesse do Banco Master, que utilizava a garantia como instrumento para captar recursos. As investigações já apontaram que o senador Ciro Nogueira recebeu e apresentou emenda neste sentido. O ex-ministro da Casa Civil nega irregularidades. Para mais detalhes sobre a investigação, veja aqui.
Na terceira frente, os investigadores apontam o acompanhamento de Wagner na tentativa de venda do Banco Master ao BRB. A Operação Compliance Zero segue em andamento.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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