PF Mira Jaques Wagner em 9ª Fase da Operação Compliance Zero
Líder do Governo Lula no Senado é alvo de buscas; US$ 49 mil encontrados em hotel de Brasília em investigação sobre Banco Master.
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A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (18) a 9ª fase da Operação Compliance Zero, que tem o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, como alvo principal. A investigação apura irregularidades envolvendo o Banco Master.
Durante os mandados de busca e apreensão cumpridos nesta quinta-feira, agentes da PF encontraram US$ 49 mil em um quarto de hotel em Brasília, supostamente ligado ao senador. O valor apreendido em espécie excede o limite de US$ 20 mil para recolhimento, estabelecido pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso na Suprema Corte.
A PF também cumpre mandados em empresas e residências de Augusto Lima, dono do Banco Pleno e ex-sócio de Daniel Vorcaro na Bahia. Lima implementou um sistema de crédito consignado para servidores públicos na Bahia, durante a gestão de Wagner como governador. Este sistema foi posteriormente adotado pelo Banco Master, com o Credcesta tornando-se o principal ativo financeiro da instituição.
No total, policiais federais cumprem 18 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, nos estados da Bahia, de São Paulo e no Distrito Federal. A operação também aplica medidas cautelares diversas da prisão, como proibição de contato entre os investigados e suspensão de passaporte. Os fatos investigados podem caracterizar, em tese, os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
Augusto Lima já havia sido preso na primeira fase da Operação Compliance Zero.
Trajetória Política de Jaques Wagner
Jaques Wagner, nascido em 16 de março de 1951 no Rio de Janeiro, iniciou sua vida política como ativista estudantil no final dos anos 1960. Ele cursava Engenharia Civil na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, mas não concluiu o curso devido à repressão da ditadura militar.
Em 1974, Wagner mudou-se para a Bahia. Lá, começou a carreira como técnico de manutenção no Polo Petroquímico de Camaçari, na região metropolitana de Salvador. Ele se voltou ao ativismo sindical, tornando-se diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Petroquímica (Sindquímica/BA).
O movimento sindical o aproximou de lideranças nacionais, incluindo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Wagner foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores em 1980. Elegeu-se deputado federal em 1990, sendo reeleito em 1994 e 1998, pelo estado da Bahia.
Após a reeleição de Lula em 2002, Wagner assumiu o Ministério do Trabalho e Emprego. Posteriormente, dirigiu a Secretaria Especial do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República. Em 2005, ele foi Ministro das Relações Internacionais.
Governo da Bahia e Retorno Federal
No ano de 2006, Jaques Wagner elegeu-se governador da Bahia, vencendo também a disputa em 2010. Este feito representou uma derrota ao “carlismo”, ligado às forças conservadoras de Antônio Carlos Magalhães.
Após a reeleição da presidente Dilma Rousseff em 2014, Wagner retornou ao governo federal como Ministro da Defesa. Em outubro de 2015, foi indicado para a Casa Civil. Em 2016, ele deixou o ministério durante o processo de impeachment de Dilma.
Em 2018, Wagner elegeu-se senador pelo estado da Bahia, cargo que ocupa em 2026. Lula o apontou como líder do governo no Senado em 2023.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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