Bolívia: Ano Novo Andino Marca Pausa em Protestos Após Estado de Exceção
Celebração milenar coincide com fim gradual de bloqueios que paralisaram o país por 50 dias, mas tensões persistem com sindicato cocalero e Evo Morales.
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A Bolívia experimenta um respiro nas tensões sociais com a celebração do Ano Novo Andino, que sinalizou o início de uma trégua nos protestos antigovernamentais após mais de 50 dias de bloqueios de estradas. A declaração de estado de exceção pelo presidente Rodrigo Paz no último sábado, 20 de junho, foi determinante para o lento retorno à normalidade, especialmente em La Paz e outras regiões que se encontravam isoladas.
Na madrugada de domingo, 21 de junho, milhares de bolivianos se reuniram em montanhas e mirantes de La Paz para saudar os primeiros raios de sol, um ritual que, segundo a cosmovisão andina, infunde energia cósmica. Esta celebração, que remonta a povos pré-hispânicos e coincide com o solstício de inverno no Hemisfério Sul, foi mantida apesar da crise social e da escassez de combustível, fatores que, contudo, reduziram a participação popular.
Os bloqueios de estradas, que sufocaram o país por quase dois meses, começaram a ser gradualmente desfeitos desde sábado, logo após o anúncio do estado de exceção. Pouco antes das festividades de domingo, a Assembleia Legislativa ratificou por maioria o decreto presidencial, conferindo-lhe respaldo legal. Um dos maiores sindicatos rurais, protagonista dos bloqueios, convocou uma pausa no conflito e orientou a retirada de seus membros até a próxima semana para análise da situação e participação nas celebrações.
No entanto, a calma não é total. O sindicato cocalero, alinhado ao ex-presidente Evo Morales (2006-2019), mantém sua mobilização. O governo acusa Morales, de 66 anos, de instigar e financiar os protestos em busca de “impunidade” em uma investigação judicial por suposto abuso de uma menor durante seu mandato. O ex-líder boliviano permanece entrincheirado em seu reduto cocalero do Chapare desde 2024 e tem se recusado a comparecer perante a justiça.
As forças de segurança, que atuam na desobstrução das rotas desde sábado, não entraram no Chapare, onde bloqueios persistiam neste domingo. A região é controlada pelos sindicatos cocaleros e, segundo autoridades governamentais e policiais, também por máfias ligadas ao narcotráfico. O conflito gerou um impacto econômico devastador, com empresários estimando perdas superiores a US$ 2 bilhões. Enquanto centenas de caminhoneiros puderam retornar para casa ontem, o desabastecimento de combustíveis e alimentos em diversas cidades agrava a recuperação econômica do país, que enfrenta sua pior crise em quatro décadas.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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