Crise Eleitoral no Peru: Sánchez Contesta Resultado e Alega Fraude em Votos Estrangeiros
Com apuração apertada, Roberto Sánchez acusa "fraude em curso" e condiciona reconhecimento do pleito à decisão da Junta Eleitoral sobre mais de 300 mil sufrágios.
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Roberto Sánchez, candidato de esquerda à presidência do Peru, declarou nesta terça-feira (23) que não reconhecerá uma eventual vitória de sua rival conservadora, Keiko Fujimori, caso a Junta Nacional Eleitoral (JNE) não acate seu pedido de anulação dos votos de peruanos residentes no exterior. A decisão do líder do Juntos por el Perú intensifica a tensão em uma corrida presidencial marcada pela disputa voto a voto.
Sánchez afirmou em coletiva de imprensa haver uma “fraude em curso” nas repartições consulares, onde mais de 300 mil peruanos votaram em 7 de junho. A suposta irregularidade, segundo o candidato, reside na falta de digitalização das atas de apuração. “Se a Junta Nacional Eleitoral não resolver esta questão com a devida consideração pela segurança jurídica e pelas normas eleitorais, esta fraude terá sido consumada. Portanto, afirmamos que, nessas condições de violação das regras, não reconheceremos o governo da Sra. Fujimori”, sentenciou Sánchez.
A equipe jurídica de Sánchez havia formalizado o pedido de anulação dos votos do exterior junto à JNE na segunda-feira (22). A controvérsia se originou em 29 de maio, quando o Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), responsável pela organização do pleito, decidiu, a pedido do Ministério das Relações Exteriores, interromper o procedimento de digitalização das atas de apuração logo após a contagem e seu envio ao Peru. O Ministério justificou a mudança alegando “sérias dificuldades técnicas e operacionais” reportadas por consulares durante o primeiro turno, em 12 de abril.
Em resposta às acusações, o Ministério das Relações Exteriores negou veementemente que seus funcionários consulares tenham cometido “atos de interferência, manipulação, favorecimento político ou alteração de material eleitoral”. As missões de observação da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da União Europeia, por sua vez, concordaram que o segundo turno da eleição presidencial peruana transcorreu sem incidentes ou irregularidades. Sem os votos do exterior, majoritariamente favoráveis a Fujimori, Sánchez lidera a apuração, conforme dados da ONPE.
Keiko Fujimori, da Fuerza Popular, não se manifestou publicamente nesta terça-feira, mas na véspera classificou as ações de Sánchez – incluindo uma marcha em Lima na última sexta-feira (19) – como um “ato político desesperado”. Com 99,72% das urnas apuradas, Fujimori detém 50,11% dos votos, contra 49,89% de Sánchez, segundo a apuração preliminar da ONPE. As eleições presidenciais do Peru têm sido historicamente marcadas por acusações de fraude por parte dos candidatos derrotados, como ocorreu no segundo turno de 2021, quando a própria Fujimori contestou resultados.
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André Vilela
Formado em Comunicação Social, atua no jornalismo digital com foco na agilidade e precisão da informação. Cobre o cotidiano das cidades sul-mato-grossenses, trazendo os fatos assim que eles acontecem. Apaixonado por tecnologia e novas mídias.
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