Iván Cepeda aceita derrota e Abelardo de la Espriella é confirmado presidente da Colômbia
Candidato de esquerda cede após pleito histórico e em meio a acusações de fraude e protestos, mas promete "desobediência civil" ao futuro governo de extrema direita.
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O candidato presidencial de esquerda da Colômbia, Iván Cepeda, reconheceu nesta quarta-feira (24) sua derrota para o rival de extrema direita Abelardo de la Espriella, confirmando o resultado do segundo turno mais acirrado da história do país. Cepeda perdeu por menos de um ponto percentual, encerrando um período de incerteza e tensões pós-eleitorais.
Em coletiva de imprensa, o senador declarou: “Decidi aceitar o resultado deste processo, que indica que Abelardo de la Espriella é o novo presidente da República”. Ele justificou a decisão afirmando que o fazia para “contribuir para a convivência, a paz e o diálogo entre os colombianos”.
A aceitação ocorre após três dias de um pleito que manteve o país em suspense, com Cepeda inicialmente condicionando o reconhecimento à apuração final. O período pós-eleitoral foi marcado por protestos e confrontos entre seus apoiadores e a polícia de choque em cidades como Bogotá e Cali.
Aliado de Cepeda, o presidente Gustavo Petro havia denunciado supostas violações no software eleitoral e levantado a possibilidade de anulação da votação, citando uma “intervenção direta” dos Estados Unidos após o apoio de Donald Trump a De la Espriella. Contudo, a autoridade eleitoral colombiana afirmou na terça-feira (23) que a apuração final demonstrou uma coincidência de 99,9% com a pré-apuração de domingo. A missão de observadores da União Europeia também descartou “irregularidades”.
Apesar da aceitação dos resultados, Cepeda prometeu resistência. “Assumiremos, se necessário, resistência e desobediência civil pacífica”, declarou, jurando rejeitar “qualquer tentativa de subjugação autoritária” e apontando para a “interferência estrangeira aberta e indevida” nas eleições. Abelardo de la Espriella, um advogado milionário sem experiência em cargos eletivos, é conhecido por sua linha dura contra o crime e um discurso radical anti-esquerda.
De la Espriella assumirá a presidência em 7 de agosto, em uma cerimônia prometida para uma guarnição militar, refletindo sua postura em defesa da aplicação da lei em um país historicamente marcado por conflitos armados. Ele governará uma Colômbia profundamente dividida, com uma oposição articulada para protestar nas ruas. Sem maioria no Congresso, a capacidade de De la Espriella de cumprir promessas, como o desmantelamento do tribunal de paz criado após o acordo do governo com a guerrilha das FARC, permanece incerta.
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André Vilela
Formado em Comunicação Social, atua no jornalismo digital com foco na agilidade e precisão da informação. Cobre o cotidiano das cidades sul-mato-grossenses, trazendo os fatos assim que eles acontecem. Apaixonado por tecnologia e novas mídias.
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