Quinta-feira, 25 de Junho de 2026
Menu
POLÍTICA

Operação “Última Parada” Desvenda Lavagem de Dinheiro do PCC em Empresa de Ônibus

Esquema milionário envolvia a Transunião, com o vereador Senival Moura (PT) entre os detidos; partido anuncia processo de expulsão.

25/06/2026 às 15:37
3 min de leitura
Vereador Senival Moura (PT)

Anuncie Aqui

A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo (MPSP) deflagraram nesta quinta-feira, 25 de junho de 2026, a Operação “Última Parada”, que desmantelou um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio da empresa de transporte coletivo Transunião. Entre os cinco presos está o vereador Senival Moura (PT), cuja detenção levou o Partido dos Trabalhadores a anunciar a abertura de um processo disciplinar que pode resultar em sua expulsão.

A ação conjunta, que resultou na prisão de integrantes da facção criminosa, do presidente da concessionária e do parlamentar, revelou que a Transunião era utilizada para ocultar e movimentar recursos ilícitos. O Diretório Municipal do PT de São Paulo, em nota oficial, reiterou seu compromisso com a ética e a legalidade, afirmando que “não compactua com qualquer prática ilícita” e que todos os fatos serão rigorosamente apurados.

O processo interno do Partido dos Trabalhadores, que será encaminhado à Comissão de Ética e Disciplina, visa a apurar a conduta de Senival Moura e pode culminar em sua expulsão, caso as acusações se confirmem. A legenda também manifestou apoio às forças de segurança e ao fortalecimento dos instrumentos de combate a organizações criminosas.

As investigações da “Última Parada” tiveram início após o assassinato de Adauto Soares Jorge, então presidente da Transunião, executado em 2020. Segundo o MPSP e a Polícia Civil, as apurações reuniram provas robustas de que a empresa era sistematicamente usada pelo PCC para lavar dinheiro, com um “núcleo paralelo” exercendo controle sobre decisões estratégicas e movimentações financeiras.

A dimensão do esquema é revelada pelos números: apenas em 2025, a Transunião recebeu mais de R$ 300 milhões do sistema de transporte público paulistano. A Justiça determinou o bloqueio e sequestro de R$ 194 milhões em contas bancárias ligadas aos investigados e à empresa, além da apreensão de 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações, em endereços na capital paulista, Região Metropolitana e Extrema (MG).

Para garantir a continuidade do serviço à população, o Poder Judiciário determinou o afastamento imediato dos diretores da concessionária e comunicou a Prefeitura de São Paulo para que adote medidas administrativas, regulatórias e contratuais. Entre as possibilidades, estão a intervenção administrativa na empresa ou outras ações para assegurar a operação regular das linhas de ônibus afetadas. A investigação também chamou a atenção para a evolução patrimonial da companhia, considerada desproporcional pelas autoridades.

Comentários

Anuncie Aqui

Alcance milhares de leitores

Imagem do avatar

Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

Ver mais matérias