Venezuela em Ruínas: La Guaira Luta Contra o Tempo Após Terremotos Devastadores
Com 164 mortos e quase mil feridos, o estado costeiro é declarado zona de desastre enquanto a busca por desaparecidos sob os escombros intensifica-se em meio ao desespero.
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A Venezuela amanhece nesta quinta-feira (25 de junho de 2026) em choque e luto após uma sequência de dois potentes terremotos, de magnitudes 7,2 e 7,5, que atingiram o país na noite de quarta-feira. O balanço preliminar aponta para um cenário catastrófico: ao menos 164 pessoas morreram e quase mil ficaram feridas. O estado de La Guaira, a apenas 40 minutos de Caracas e lar do aeroporto internacional de Maiquetía, foi o mais castigado, com dezenas de edifícios reduzidos a escombros e um número indeterminado de desaparecidos, levando o governo interino a declará-lo “zona de desastre”.
Em Catia la Mar, uma das cidades mais afetadas, o cenário é de devastação e pânico. “Foi terrível. Tudo, tudo desabou”, lamenta Yilsmaris Blanco, de 39 anos, enquanto observa a destruição. A gratidão por estar viva é ofuscada pela angústia: “Damos graças a Deus porque (…) estamos vivos, mas há pessoas que estão agora sofrendo com seus familiares soterrados, com seus familiares presos sob os escombros, que não conseguem tirar”, relatou à AFP. Milhares de moradores estão desabrigados, muitos passando a noite nas ruas escuras, sem eletricidade e sob o temor de mais de vinte réplicas já sentidas.
As imagens do local, confirmadas por uma equipe da AFP, mostram a magnitude do desastre: prédios que antes abrigavam quase 200 famílias agora são montanhas de concreto e ferro retorcido. Alguns permanecem de pé, mas com rachaduras profundas e paredes expostas. Larry Rojas, de 49 anos, um dos afetados, expressa o sentimento de impotência: “Não temos nada, agora não temos nada, nem sequer forças, nem coragem para entrar ali, imagina só”. A esperança, contudo, persiste em meio ao caos. “Lá embaixo há sobreviventes”, alerta Lisbeth Vasquez, que conseguiu escapar com sua família de um dos edifícios colapsados.
No meio da noite, socorristas trabalhavam incansavelmente entre os escombros, muitas vezes lado a lado com cidadãos desesperados que tentavam por conta própria encontrar seus parentes, gritando seus nomes. Jornalistas da AFP testemunharam a recuperação de corpos de um homem e uma mulher, transportados na parte traseira de uma caminhonete. Enquanto isso, o apelo por ajuda é uma constante. “O que está faltando é ajuda, principalmente com os equipamentos técnicos, os equipamentos que estão em Caracas, que sabem quais (ferramentas) usar, que podem vir ajudar aqui em La Guaira, que venham”, pediu ofegante José Pacheco, chefe de operações do Grupo Rescate Unido de Venezuela, diante da complexidade da situação e da fragilidade das estruturas restantes.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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