Entre Escombros e Burocracia: Venezuela Luta Contra o Tempo Após Terremotos Fatais
Com mais de 1.400 mortos e 50 mil desaparecidos, voluntários se frustram com exigência de salvo-condutos para acessar La Guaira, a região mais devastada.
Anuncie Aqui
Três dias após os devastadores terremotos que atingiram a Venezuela na última quarta-feira, o país vive uma corrida contra o tempo em meio ao desespero e à burocracia. Com um balanço oficial que supera 1.400 mortos e estimativas da ONU apontando para 50 mil desaparecidos, milhares de voluntários enfrentam longas filas e a frustração de obter autorizações para acessar La Guaira, a região mais afetada, onde a esperança de encontrar sobreviventes diminui a cada hora.
Desde o último sábado (27), a gigantesca arena do Poliedro de Caracas transformou-se no epicentro da indignação. Voluntários, munidos de pás e água, formam filas intermináveis para conseguir os “salvo-condutos” exigidos pelo governo. “É preciso tirar uma autorização para salvar vidas, imagine só”, desabafou Carlos Itriago, socorrista de 27 anos, ecoando o sentimento geral de impotência e desinformação, enquanto a polícia tentava controlar a desordem e os gritos por agilidade.
La Guaira, um balneário costeiro, foi reduzida a escombros pelos tremores de magnitude 7.2 e 7.5. Centenas de edifícios desabaram e, nos primeiros momentos após a catástrofe, a afluência massiva e desordenada de centenas de motocicletas e carros de voluntários chegou a obstruir a passagem de ambulâncias que transportavam os feridos, tornando o cenário ainda mais caótico.
Para conter a desorganização, o governo militarizou o estado de La Guaira e restringiu o acesso à região a partir da noite de sexta-feira (26). A medida, que visa organizar os esforços de resgate, gerou um gargalo burocrático, com voluntários como Samuel Rodríguez, de 24 anos, protestando: “Estou aqui desde a madrugada na fila para ir resgatar pessoas e ainda não conseguimos sair. Quantas vidas já perdemos até este momento?”. A imprensa também enfrenta restrições, sendo autorizada a entrar na área afetada apenas em ônibus do governo, com saídas limitadas a duas vezes por dia.
O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, um dos porta-vozes oficiais da crise, defendeu a necessidade de uma atuação “organizada” dos voluntários. Ele informou que 2.242 socorristas já foram registrados e que cerca de 30 mil especialistas venezuelanos e mais de 2.200 socorristas de 21 brigadas internacionais estão mobilizados nas operações de emergência, enfatizando a complexidade da logística em um desastre de tal magnitude.
Anuncie Aqui
Alcance milhares de leitores
André Vilela
Formado em Comunicação Social, atua no jornalismo digital com foco na agilidade e precisão da informação. Cobre o cotidiano das cidades sul-mato-grossenses, trazendo os fatos assim que eles acontecem. Apaixonado por tecnologia e novas mídias.
Ver mais matérias
Comentários