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INTERNACIONAL

Venezuela: Seis Dias Após Terremotos, Esperança Minguante em Meio à Crise Humanitária

Com mais de 1.430 vidas perdidas e 50 mil desaparecidos, socorristas e civis lutam contra o tempo e a burocracia, enquanto a população clama por ajuda em meio à devastação e à profunda crise nacional.

30/06/2026 às 11:17
3 min de leitura
Terremotos na Venezuela

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Seis dias após os devastadores terremotos que atingiram a Venezuela na última quarta-feira (24 de junho), a esperança de encontrar sobreviventes sob as montanhas de escombros diminui a cada hora. O balanço oficial de mortos já ultrapassa 1.430, enquanto a cifra de desaparecidos choca: mais de 50 mil pessoas permanecem sem paradeiro conhecido. Socorristas, familiares e voluntários continuam uma corrida frenética contra o tempo, cavando dia e noite em meio à profunda crise política e econômica que assola o país.

A janela para resgates com vida, criticamente curta após desastres sísmicos, é agora quase inexistente. Um socorrista salvadorenho, que pediu anonimato, afirmou à AFP em La Guaira, no domingo (28), que “o padrão é que as pessoas não estejam mais vivas”, embora “ainda possamos encontrar pessoas com sinais vitais”. A prova disso veio no sábado (27), com o resgate de um menino de 11 anos em Caraballeda, um raio de esperança que a presidente interina, Delcy Rodríguez, celebrou no X, destacando que “cada vida representa esperança para a Venezuela”. No mesmo dia, 33 pessoas foram retiradas com vida dos escombros, segundo a presidente.

O chefe da ajuda humanitária da ONU, Tom Fletcher, já havia alertado na sexta-feira (26) à AFP que o número total de mortos poderia aumentar significativamente e que a marca de 50 mil desaparecidos era alarmante. Cidades costeiras como La Guaira, a 40 quilômetros de Caracas, e uma das mais castigadas pelos sismos de magnitude 7.2 e 7.5, transformaram-se em cenários de guerra, com dezenas de edifícios reduzidos a pó e escombros.

Em meio à catástrofe, a revolta popular contra a lentidão e insuficiência da assistência governamental se intensifica. Marlon Ochoa, sobrevivente de um desabamento em La Guaira, busca desesperadamente sua mãe, esposa e filho. “Ainda não vejo as autoridades assumindo o controle da situação nesta área”, desabafou à AFP, furioso. “Me disseram que estão deliberando. Deliberando o quê? (…) Se hoje não vier ninguém aqui, vamos fazer uma revolução, porque aqui precisamos de coisas: máquinas, geradores, furadeiras, de tudo”, ameaçou, ecoando o sentimento de muitos que clamam por mão de obra e ferramentas.

A resignação também toma conta. Héctor Aguilera, de 60 anos, que viajou para a região em busca de familiares soterrados, lamenta a falta de apoio. “Não temos apoio para retirar nossos familiares. Nós mesmos não conseguimos. Eles estão enterrados lá. Sabemos que estão mortos, mas aqui estamos, esperando a resposta das autoridades”, relatou. “Não temos esperanças, o que me restam são as lembranças”, expressou, um grito silencioso de desespero que ressoa entre os destroços da Venezuela.

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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