Keiko Fujimori é Eleita Presidente do Peru em 2026 com Vitória Apertada
Conservadora vence Roberto Sánchez no segundo turno das eleições presidenciais de 2026 por uma margem de menos de 0,3% dos votos, encerrando ciclo de instabilidade.
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Keiko Fujimori, do partido conservador Fuerza Popular, foi eleita Presidente do Peru nas eleições de 2026. Ela obteve 50,135% dos votos, superando o esquerdista Roberto Sánchez, do Juntos por el Perú, que registrou 49,865%. O Escritório Nacional de Processos Eleitorais do Peru (ONPE) encerrou a apuração na segunda-feira, 29 de junho de 2026, confirmando a vitória de Fujimori.
Em sua quarta disputa pela chefia de Estado, Keiko Fujimori recebeu 9.223.396 votos. Roberto Sánchez, por sua vez, obteve 9.173.755 votos. A diferença entre os candidatos foi de 49.641 votos.
Perfil da Presidente Eleita
Keiko Fujimori formou-se em administração de empresas pela Universidade Boston. Ela é filha do ex-presidente e ditador peruano Alberto Fujimori (1938–2024), que governou de 1990 a 2000. Alberto Fujimori sofreu impeachment após fugir do país em meio a um escândalo de corrupção e foi condenado por violação dos direitos humanos. Ele foi preso em 2005 no Chile e extraditado para o Peru em 2007.
A carreira política de Keiko Fujimori começou em 2006, quando retornou ao Peru e disputou as eleições ao Congresso. Ela tornou-se a deputada mais votada da história do Peru, com 600 mil votos.
Fujimori permaneceu no Legislativo até 2011, quando se candidatou pela primeira vez à Presidência, perdendo no segundo turno. Ela disputou o Palácio de Governo novamente em 2016 e 2021, sendo derrotada em ambos os segundos turnos.
Em outubro de 2018, Keiko foi presa preventivamente no âmbito do escândalo da Odebrecht, desdobramento da Operação Lava Jato no Brasil. Ela enfrentou acusações de recebimento de dinheiro da empreiteira brasileira para sua campanha de 2011. Dias depois, o Tribunal Penal Nacional decidiu por sua soltura.
Fujimori foi novamente presa no final de outubro de 2018, sob a justificativa de “alto risco de fuga”. Libertada em 29 de novembro, ela foi detida mais uma vez em janeiro de 2020 pela mesma razão. A ordem de prisão foi revogada em abril de 2020 e, após pagamento de fiança, ela deixou a prisão.
Principal expoente do fujimorismo, ideologia baseada na política neoliberal de Alberto Fujimori, Keiko prometeu durante sua campanha expulsar imigrantes do Peru e fortalecer as relações com os Estados Unidos.
Cenário de Instabilidade Política no Peru
Desde o fim do governo Fujimori, em 2000, o Peru enfrentou um período de profunda instabilidade política. Apenas três presidentes concluíram seus mandatos no país. No mesmo período, cinco chefes de Estado foram depostos e dois renunciaram.
O último líder a completar o mandato de cinco anos foi Ollanta Humala, que deixou o Palácio de Governo em 2016. Ele foi sucedido por Pedro Pablo Kuczynski.
Em 2018, Kuczynski renunciou, e Martín Vizcarra assumiu o cargo. Vizcarra foi destituído pelo Congresso em 2020. Manuel Merino o sucedeu, mas renunciou apenas cinco dias após assumir o governo do Peru. Francisco Sagasti comandou o país até a posse de Pedro Castillo.
Eleito em maio de 2021 e empossado dois meses depois, Castillo foi deposto em dezembro de 2022, após tentar dissolver o Congresso. Dina Boluarte o substituiu, mas sofreu impeachment em outubro de 2025.
O então líder do Congresso, José Jerí, assumiu a chefia de Estado, mas o Legislativo o destituiu em fevereiro de 2026. O atual mandatário do Peru é José María Balcázar, que fará a transferência do cargo em 28 de julho de 2026 para Keiko Fujimori.
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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