Irã Transforma Funeral de Khamenei em Exibição de Força Pós-Guerra
Com Teerã fortificada, evento de seis dias para Ali Khamenei ocorre em meio a negociações de paz com os EUA e após guerra devastadora.
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Neste sábado (4 de julho de 2026), milhões de iranianos convergem para Teerã para o funeral de Estado do falecido líder supremo Ali Khamenei, em uma cerimônia massiva que se desenha como uma poderosa demonstração de força e unidade nacional no rastro da recente guerra contra Israel e os Estados Unidos.
O aiatolá Khamenei faleceu há quatro meses, em março, vítima de bombardeios israelenses e americanos que precipitaram o conflito. Seu caixão, adornado com seu emblemático turbante preto, está exposto na Grande Mosalla, um vasto complexo religioso na capital. A presença de seu filho, Mojtaba, que o sucedeu como guia supremo em março, não foi confirmada; ele se recupera de ferimentos sofridos nos ataques que mataram seu pai e tem se comunicado apenas por mensagens escritas.
As autoridades iranianas estimam a participação de 15 a 20 milhões de pessoas apenas em Teerã, projetando as homenagens como as maiores da história do país. O evento, que se estenderá por seis dias, busca projetar uma imagem de solidez e resiliência em meio às delicadas negociações diplomáticas entre os Estados Unidos e o Irã, após a assinatura, no mês passado, de um acordo-quadro para o fim do conflito.
Em um cenário de forte esquema de segurança, o centro de Teerã foi transformado em uma fortaleza, com inúmeros controles policiais, conforme constatado pela AFP. Mesmo antes do início oficial da cerimônia às 6h locais, centenas de pessoas já aguardavam na noite de sexta-feira em frente à Grande Mosalla. “Queremos dar um último adeus ao nosso guia, e por isso a espera não é nem dolorosa nem difícil para nós”, afirmou à AFP Somayye Hamedi, uma professora de 44 anos vestida com um chador preto.
Entre cânticos religiosos e recitação de poemas, muitos choram abertamente, enquanto outros aguardam sentados no chão, imersos em um clima de profunda devoção. “Vir aqui é a última e a única coisa que podemos fazer” por Ali Khamenei, que “sacrificou sua vida” pelo Irã, comentou Fatemeh Nowdehi, uma estudante de 25 anos que viajou do norte do país para ajudar voluntariamente os peregrinos. O caixão permanecerá exposto dia e noite até segunda-feira na Mosalla, antes de uma procissão pelas ruas da capital e escalas em várias cidades do Irã e do Iraque, culminando em seu sepultamento em 9 de julho na cidade santa de Mashhad, seu local de nascimento.
As paredes do complexo estão adornadas com grandes retratos de Khamenei, bandeiras pretas em sinal de luto e outras vermelhas, simbolizando martírio e vingança, segundo imagens da AFP. A cerimônia conta com a presença de altos funcionários iranianos e alguns dignitários estrangeiros, sublinhando a importância geopolítica do evento.
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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