McDonald’s Vira Hospital para Animais em Tragédia na Venezuela
Voluntários transformam restaurante em centro de resgate para pets e pessoas após terremotos em Caraballeda; grupo já salvou 140 animais.
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Uma unidade do McDonald’s na cidade litorânea de Caraballeda, Venezuela, transformou-se em um centro de atendimento para localizar e tratar animais de estimação desaparecidos após terremotos. O local, agora conhecido popularmente como “Hospital McDonald’s”, opera ao lado das ruínas de conjuntos habitacionais estaduais desabados.
Angel Matute e uma equipe de 70 profissionais, incluindo veterinários, estudantes, médicos e voluntários civis, viajaram de Barquisimeto, no oeste do país. A equipe procurava um lugar para dormir, guardar equipamentos e se abrigar da forte chuva tropical quando encontrou o McDonald’s, uma das poucas instalações operacionais em meio ao caos.
Eles montaram um posto de atendimento no restaurante, que ainda dispunha de ar-condicionado funcionando. A equipe começou a distribuir suprimentos médicos e a tratar pacientes humanos, além de servir como ponto central para cuidar de animais de estimação feridos e procurar cães e gatos desaparecidos.
“Para nós, um animal de estimação é mais uma vida humana,” disse Matute, que coordena os esforços de resgate no McDonald’s, onde os voluntários também dormem. Ele acrescentou: “Existem animais que são mais humanos do que os próprios humanos.”
Matute estava entre os voluntários que, na quinta-feira, cuidavam de cães e gatos ao lado de equipes de busca, que pediam hambúrgueres e batatas fritas. Seu grupo já resgatou 140 animais e tratou outros 60. Eles planejam continuar reunindo donos com seus animais de estimação perdidos até que sua ajuda não seja mais necessária.
Reencontro Emocionante: “Ele é como meu curativo canino”
Gabriela Alves, de 36 anos, recorreu ao Hospital McDonald’s em sua busca desesperada por seu cachorro, Buddy. Ela estava na casa de um familiar quando os terremotos atingiram o norte da Venezuela.
Horas depois, Alves subiu em sua motocicleta e correu freneticamente para casa na tentativa de salvar Buddy, mas encontrou apenas ruínas. A venezuelana soube que o McDonald’s havia se tornado um local para procurar animais perdidos e começou a fazer visitas diárias ao restaurante.
Ela passava pelo local para verificar se os voluntários haviam encontrado algum cachorro branco antes de voltar para casa e gritar “Buddy, Buddy!”, na esperança de ouvir um latido. Por mais de uma semana, ela só encontrou silêncio.
“Estamos todos vivendo um dia de cada vez”, disse ela na quinta-feira. “Hoje, voltei e posso dizer com toda a sinceridade que tinha perdido toda a esperança.”
Alves persistiu, vasculhando os escombros e retirando roupas do quarto da mãe, a única área da casa ainda acessível. Então, ouviu um latido distante, olhou para baixo e viu a orelha branca de Buddy através de uma rachadura no concreto.
Ela gritou por socorro, e socorristas próximos correram até ela. Eles abriram um buraco na parede e retiraram o cachorro coberto de poeira dos escombros. Alves soluçou enquanto embalava Buddy, enrolado em um cobertor rosa, que lambia seu braço. Horas depois, veterinários do Hospital McDonald’s examinaram Buddy em busca de ferimentos, após oito dias preso nos escombros.
“Neste momento, com toda a tragédia do terremoto, ele é uma coisa positiva em meio a tanta coisa ruim”, afirmou Alves, ainda abraçando o cão.
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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