Síria Pós-Assad: Macron em Visita Histórica e Novo Parlamento Toma Posse
Primeiro chefe de Estado da Europa Ocidental deve chegar a Damasco em meio à formação do Legislativo que marca a transição do país após 13 anos de guerra e a queda de Bashar al-Assad em 2024.
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A Síria anunciou neste domingo, 5 de julho de 2026, que aguarda a visita do presidente francês Emmanuel Macron, um momento diplomático de grande relevância. Esta será a primeira vez que um chefe de Estado da Europa Ocidental pisa em solo sírio desde que Ahmed al-Sharaa assumiu o poder após a queda de Bashar al-Assad em dezembro de 2024. A agência estatal de notícias SANA, citando o gabinete de imprensa da presidência síria, informou que Macron deverá discutir o fortalecimento das relações bilaterais e temas de interesse comum, embora não tenha especificado a data da visita.
A potencial visita ocorre em um cenário de profundas transformações na Síria, que busca estabilidade após 13 anos de uma guerra civil devastadora, que ceifou mais de meio milhão de vidas. Bashar al-Assad, que governou o país por mais de duas décadas, foi deposto em dezembro de 2024 por uma coalizão de grupos rebeldes, então liderada pelo atual presidente, o ex-jihadista Ahmed al-Sharaa. Assad fugiu para a Rússia com seus aliados mais próximos quando as forças rebeldes, de maioria islamista, se aproximavam da capital Damasco.
Paralelamente à expectativa diplomática, a Síria avança na consolidação de suas instituições pós-conflito. O primeiro Parlamento da era pós-Assad começou a tomar forma na última quarta-feira, 1º de julho, com o anúncio de 70 parlamentares indicados pelo presidente interino Ahmed al-Sharaa. Esses se juntam aos 140 membros eleitos em um processo que se estendeu pelos últimos oito meses, culminando na formação de um corpo legislativo de 210 integrantes.
A primeira sessão do novo Parlamento está marcada para esta segunda-feira, 6 de julho, quando os parlamentares tomarão posse, conforme informado por Mohammed Taha al-Ahmad, presidente do comitê eleitoral sírio. A instalação do Legislativo é um passo crucial na elaboração de novas leis, sinalizando o esforço do país para se reerguer após cinco décadas de domínio da família Assad e os estragos da guerra. Entre os 70 indicados por al-Sharaa, 15 são mulheres, elevando para 22 o número total de representações femininas.
O processo eleitoral para o Parlamento foi complexo, com a primeira fase ocorrendo em outubro do ano passado, excluindo a província meridional de Sweida, controlada por milícias drusas opositoras ao governo central, e o nordeste do país, à época sob domínio curdo. A votação no nordeste foi realizada em maio deste ano, após as forças governamentais retomarem o controle da região em confrontos. Embora ainda não haja data para a votação em Sweida, dois representantes da maioria drusa da região foram incluídos entre os nomes anunciados por al-Sharaa na última quarta-feira. O novo Parlamento terá um mandato de 30 meses e será responsável por elaborar uma nova lei eleitoral para o próximo pleito, já que o país estava sem um Legislativo desde a ofensiva de dezembro de 2024.
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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