Venezuela: Terremotos Deixam Mais de 3.300 Mortos em Meio a Celebrações de Independência
Novo balanço eleva para 3.342 o número de vítimas fatais dos abalos sísmicos de 24 de junho; governo interino nega convulsão social enquanto enterros de corpos não identificados prosseguem em La Guaira.
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O governo venezuelano atualizou o número de mortos para 3.342 e registrou mais de 16.700 feridos neste domingo, 5 de julho de 2026. Os dados emergem após os potentes terremotos que atingiram o país em 24 de junho de 2026. A tragédia coincide com as celebrações da independência venezuelana, marcadas por luto e atos solenes. Mais de 150 corpos sem identificação foram sepultados no cemitério La Esperanza, em La Guaira, o estado mais afetado.
Balanço Atualizado e Impacto Humanitário
O boletim divulgado neste domingo, 5 de julho de 2026, eleva o número de mortes em 388 pessoas, em comparação com o balanço anterior do Ministério das Comunicações, que no sábado, 4 de julho de 2026, informava 2.954 mortos e 16.592 feridos. As autoridades ainda não preveem a quantidade total de vítimas que serão encontradas até o final das buscas.
Os dois fortes tremores provocaram o desabamento de edifícios em Caracas e devastaram o estado vizinho de La Guaira. Nesta região, moradores continuam a recuperar corpos de entes queridos soterrados sob os escombros. A magnitude da catástrofe sobrecarregou a capacidade dos necrotérios e hospitais. Um depósito improvisado para armazenar os corpos foi habilitado esta semana nos armazéns do porto de La Guaira.
Sepultamentos e Desafios na Identificação
No município de Catia La Mar, em La Guaira, equipes com máquinas retroescavadeiras abriram valas em uma área remota de terra seca no cemitério local de La Esperanza. Eli Zavala, morador local, relatou à AFP que, no dia seguinte aos terremotos, as covas começaram a ser abertas “para que todas essas pessoas tivessem sepulturas dignas”.
Cada sepultamento de pessoa não identificada, em uma área afastada do cemitério, é marcado por um pequeno buquê de flores aos pés de uma austera cruz branca, com uma placa que leva a inscrição “Identificação especial” e a data do falecimento, 24 de junho de 2026. Os locais dos enterros “estão numerados por parcelas e também pelo código” definido para que os corpos não identificados sejam localizados por seus familiares. As autoridades também fotografaram cada um dos cadáveres antes do sepultamento. Os túmulos são delimitados por pedras brancas em formato retangular.
Independência em Meio à Tragédia e Reação Política
Neste domingo, 5 de julho de 2026, os venezuelanos comemoraram a data de sua independência em meio à tragédia. Em um ato com a bandeira da Venezuela hasteada a meio mastro, a presidente interina, Delcy Rodríguez, rechaçou a possibilidade de uma convulsão social diante das reclamações dos afetados. “Não haverá convulsão social; aqui o que existe é a solidariedade social profunda do nosso povo”, afirmou Rodríguez, que assumiu o poder após a captura de Nicolás Maduro no começo de 2026, em uma operação realizada pelos Estados Unidos.
Na região devastada pelo terremoto, muitos moradores expressaram à AFP sua indignação pela atuação das autoridades. Neste domingo, a população compareceu a missas fúnebres em todas as igrejas do país. Em vários locais, o acendimento de velas está previsto para a noite. Em La Guaira, os moradores continuam a tentar recuperar os corpos de seus entes queridos em meio aos escombros, em condições cada vez mais difíceis. “Isto é horrível (…), mas não me mexo daqui porque sei que está aí. Encontrei sua moto, encontrei seu cap”, disse um morador.
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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