Trump Anuncia Licença para Ucrânia Fabricar Mísseis Patriot em Cúpula da Otan
Presidente americano confirmou acordo com Zelensky e adotou tom conciliador com aliados após críticas iniciais na reunião de Ancara em 8 de julho de 2026.
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (8) que Washington concederá à Ucrânia o direito de fabricar mísseis de defesa aérea Patriot. A declaração ocorreu durante uma reunião com o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, na cúpula da Otan, realizada em Ancara, Turquia. Além do acordo, a cúpula de 2026 selou um compromisso de Europa e Canadá para manter o fluxo de apoio militar a Kiev, totalizando 80 bilhões de dólares anuais em 2026 e 2027.
Trump detalhou a concessão diretamente a Zelensky. “Uma das coisas sobre as quais vamos conversar é que vamos dar a vocês uma licença para fabricar Patriots. Nada mal, não é? Assim vocês não poderão reclamar que não damos mísseis suficientes”, afirmou Trump. O mandatário americano acrescentou: “Ainda não informamos a empresa, mas isso vai ser resolvido.”
A Ucrânia enfrenta desafios significativos para interceptar mísseis balísticos russos. Os estoques de interceptadores Patriot de fabricação americana, cruciais para a defesa do país, estão se esgotando. Apesar dos intensos bombardeios de Moscou, Kiev tem demonstrado resiliência, estabilizando a linha de frente e realizando operações no interior da Rússia. Trump sugeriu que essas ações poderiam contribuir para o fim do conflito, reiterando sua convicção de que tanto Zelensky quanto o líder russo, Vladimir Putin, desejam interromper os combates.
Apoio financeiro e guinada de Trump na Otan
A declaração final da cúpula da Otan em 2026 formalizou o compromisso de Europa e Canadá em manter o apoio militar à Ucrânia. O montante acordado é de 80 bilhões de dólares (R$ 412 bilhões, na cotação atual) ao ano, abrangendo os anos de 2026 e 2027.
A participação de Trump na cúpula de Ancara foi marcada por uma notável mudança de postura. Após iniciar o dia com fortes críticas aos parceiros europeus, o presidente americano encerrou o encontro com um tom inesperadamente caloroso. “Foi uma grande reunião, havia muito amor nesta sala, muita unidade”, declarou Trump a jornalistas, após a sessão a portas fechadas com os 32 chefes de Estado.
O presidente garantiu o desejo dos Estados Unidos de permanecerem na aliança militar. “Queremos seguir com vocês”, relatou à AFP uma fonte presente na sessão. Essa reafirmação se refletiu na declaração final, onde os líderes da Otan reiteraram seu compromisso firme com o Artigo 5 do tratado da aliança, que estabelece a assistência mútua. “Um ataque contra um é um ataque contra todos”, destacou o documento, buscando dissipar preocupações sobre o engajamento de Washington com a Otan.
No entanto, Trump havia iniciado o dia distribuindo críticas contundentes. Ele atacou a soberania dinamarquesa sobre a Groenlândia, os gastos militares espanhóis e a falta de ajuda de seus parceiros na guerra contra o Irã. “Não estou contento com a Otan pelo que fizeram com a Groenlândia, e não estou contento com a Otan porque não quiseram nos ajudar com o principal Estado patrocinador do terrorismo, que é o Irã. Não estiveram dispostos a nos ajudar”, assegurou o presidente.
Antes de deixar Ancara, Trump também tinha previsto um diálogo com o presidente sírio, Ahmed Al Sharaa.
A fonte que acompanhou os diálogos a portas fechadas observou uma nítida mudança no tom de Trump após seus encontros privados com os dirigentes. “Há um forte contraste entre o que Trump diz em público e o que realmente diz no privado”, comentou a fonte.
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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