Venezuela: Terremotos Matam Milhares; Governo Interino Pede Liberação de US$ 7 Bilhões em Ativos Congelados
Desastre natural deixa 3.811 mortos; Presidente interina Delcy Rodríguez apela ao Rei Charles III e ao FMI para acessar reservas essenciais à reconstrução do país.
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Caracas, Venezuela – Dois terremotos devastadores no norte da Venezuela causaram a morte de 3.811 pessoas até esta quarta-feira, 8 de julho de 2026, conforme balanço oficial divulgado pelo governo venezuelano. Em resposta à crise humanitária, a presidente interina Delcy Rodríguez solicitou a liberação de US$ 1,9 bilhão em ouro retido no Banco da Inglaterra e US$ 5,1 bilhões em Direitos Especiais de Saque (DES) bloqueados no Fundo Monetário Internacional (FMI).
Impacto dos Terremotos
Os sismos consecutivos, de magnitudes 7,2 e 7,5, atingiram o norte da Venezuela há duas semanas. O balanço mais recente, divulgado na terça-feira, 7 de julho, registrava 3.685 vítimas, indicando um aumento de 126 mortos em 24 horas. Além das fatalidades, os terremotos deixaram 16.740 feridos e 17.907 desabrigados, segundo boletim lido pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez. O desastre afetou especialmente o Estado costeiro de La Guaira, onde mais de 800 edifícios foram atingidos e 190 desabaram completamente.
Ouro Retido no Banco da Inglaterra
Nesta quarta-feira, 8 de julho, Delcy Rodríguez enviou uma carta ao Rei Charles III pedindo a liberação do ouro venezuelano depositado no Banco da Inglaterra, avaliado em US$ 1,9 bilhão. A Justiça britânica havia recusado anteriormente ceder o controle desses recursos ao então governo de Nicolás Maduro, por considerá-lo ilegítimo. “Decidi enviar uma carta ao rei da Inglaterra para que libere o ouro que está retido no Banco da Inglaterra. Esse ouro pertence ao nosso povo. É para enfrentar as consequências do terremoto”, declarou a presidente interina.
Fundos Bloqueados no FMI
A Venezuela também possui 3,568 bilhões de Direitos Especiais de Saque (DES) no FMI, equivalentes a aproximadamente US$ 5,1 bilhões, que permanecem bloqueados. O Fundo não reconheceu Nicolás Maduro como presidente, impedindo o acesso a esses recursos. Delcy Rodríguez afirmou ter conversado com a diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, para insistir na liberação. “Conversei por telefone com a diretora do Fundo Monetário Internacional, a quem agradeço pela atenção e compreensão, para liberar recursos bloqueados da Venezuela que estão no Fundo.”
Mobilização Internacional e Contexto Político
Mais cedo nesta quarta-feira, o chanceler Yván Gil também pediu a liberação dos recursos venezuelanos “bloqueados” no exterior. Paralelamente, a Organização das Nações Unidas (ONU) tenta arrecadar quase US$ 300 milhões para auxiliar na recuperação do país. Delcy Rodríguez assumiu a presidência interina da Venezuela após a captura de Nicolás Maduro em 3 de janeiro de 2026. Uma operação militar dos Estados Unidos em Caracas levou o então líder venezuelano aos EUA, onde ele enfrenta acusações de narcotráfico.
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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